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Correio da Manhã

Opinião
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18 de Fevereiro de 2011 às 00:30

Do Parlamento às televisões, levou-se uma semana inteira a comentar o psicodrama da moção de censura do Bloco de Esquerda. Estamos a falar, sublinhe-se, de uma iniciativa política que até a alma mais distraída sabia votada ao fracasso a partir do momento em que o próprio Louçã a matou à nascença, garantindo que seria também uma moção contra o PSD. Ora, mesmo sendo isto campeonato de segunda divisão, com o Bloco e o PCP a discutirem infantilmente no balneário o tamanho das suas moções, a pátria inteira vestiu fato e gravata para debater tão espantosa iniciativa.

Assim se produziram notícias, editoriais, fóruns e frente-a--frente, enquanto lá fora o país continuava a ferro e fogo: os juros da dívida pública voltaram a trepar nos mercados com mais agilidade do que o Tarzan na selva e Teixeira dos Santos fez mais uma viagem ao coração da Europa para implorar aos alemães (uma e outra vez) que se despachem a rechear de dinheirinho o fundo de estabilidade que ele assina tudo por baixo. Só que os juros galopantes e a pedinchice ministerial não valeram um décimo do entusiasmo da moção, com certeza porque já estamos todos fartos da conversa do défice e Portugal é um país capaz de suportar tudo, menos o aborrecimento.

Ora, quando estamos a pedir dinheiro que não podemos pagar e a colocar dívida em cleptocracias, convém perceber que as actividades circenses do cónego Louçã não fazem propriamente parte das prioridades da pátria. Aos vários debates sobre o estado da nação, convém acrescentar mais este: pensar a menoridade do nosso espaço público e a incapacidade que temos para reflectir com seriedade sobre os assuntos fundamentais que marcam o nosso presente e decidem o nosso futuro.

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