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Correio da Manhã

Opinião
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Armando Esteves Pereira

A nova guerra dos bancos

A guerra da sobrevivência dos bancos assemelha-se à cadeia alimentar dos peixes.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 29 de Abril de 2007 às 00:00
A OPA do BCP sobre o BPI está condenada ao fracasso. A revisão em alta do preço oferecido pelo banco liderado por Paulo Teixeira Pinto, que implicava uma oferta adicional de 988 milhões de euros face ao valor proposto há um ano quando se iniciou esta novela, não foi suficiente para convencer o núcleo duro de accionistas do banco liderado por Fernando Ulrich, dos quais se destacam os catalães de La Caixa, que detêm 25%.
Como se depreende da valorização bolsista do BCP após conhecido o falhanço da operação, o BCP de caçador passou a possível alvo. Apesar de ser a maior instituição bancária em Portugal com um peso só equiparável à Caixa Geral de Depósitos, integralmente detida pelo Estado, o banco de Paulo Teixeira Pinto é de média dimensão na Península Ibérica se comparado com os dois gigantes espanhóis: Santander e BBVA. E nos dias de hoje a guerra de sobrevivência das instituições bancárias assemelha-se à cadeia alimentar dos peixes. Os mais pequenos são comidos por outros maiores. E no fim, mesmo os grandes são comidos por tubarões. Por isso, tentam ganhar dimensão para não ser comidos.
Quanto maiores forem os bancos, mais caros se tornam, mas nem isso é suficiente para impedir operações hostis de compra como demonstra o apetite despertado pelos holandeses do ABN Amro, um grande banco europeu que está a ser disputado entre o Barclays e um consórcio nos quais participam o Santander, Fortis e Royal Bank of Scotland.
Há um ano o BPI parecia a noiva desejada, bela e insegura, com alguma instabilidade accionista. A oferta do BCP acabou por mostrar que os principais accionistas afinal tinham plataformas de entendimento e até se assistiu a uma contra-OPA não declarada que permitiu à Caixa catalã reforçar a sua posição. Agora em Portugal o BCP tem poucas alternativas. Com dimensão só existem no mercado nacional o BES, Santander e o próprio BPI. O casamento com o Santander seria impossível e mataria a autonomia do banco português e o BES também tem um núcleo seguro controlado pela família Espírito Santo.
Paulo Teixeira Pinto lidera o banco onde há menos coesão accionista e, se é difícil crescer em dimensão no mercado português, pode ganhar dimensão nos mercados externos, mas não deixa de estar vulnerável numa época em que as fusões e aquisições estão na moda.
O EFEITO DO PODER POLÍTICO
É curioso notar que as duas grandes OPA do último ano falharam. Em ambas houve revisão em alta da oferta e as administrações das empresas visadas tiveram o apoio dos principais accionistas. Enquanto a operação sobre a PT nem chegou à prova dos nove do mercado, porque os accionistas com o apoio do Estado não autorizaram a desblindagem dos estatutos, no caso do BPI nem sequer houve assembleia para desbloquear os direitos de voto e também existiu um poder político a vetar a operação. Neste caso foi o Governo da Catalunha, com o controlo de La Caixa.
PERIGO DA 'BOLHA ESPANHOLA'
Em Espanha as principais empresas imobiliárias cotadas em Bolsa estão a sofrer o efeito do esvaziamento da ‘bolha do ladrilho’. Este tem sido o sector mais dinâmico da economia espanhola e a crise pode ter efeitos devastadores em Portugal. Para já estão ameaçados dezenas de milhar de portugueses que trabalham na construção do outro lado da fronteira. Mas há também o perigo de contaminação do próprio mercado, o que seria devastador para os investidores, proprietários e bancos que têm uma elevada exposição a este sector.
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