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Correio da Manhã

Opinião
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25 de Julho de 2005 às 00:00
E coerente, porque se Sócrates viu em Campos e Cunha um perigo para o PS nas autárquicas, mais depressa concluiu que Mário Soares é o único candidato do PS com hipóteses de o livrar de ter Cavaco Silva em Belém.
Sem surpresa, o ex-presidente, que ainda na véspera tinha dito que apoiava Alegre, demorou apenas algumas horas a mostrar disponibilidade. Sócrates bem pode agradecer a iniciativa, pois assim, numa derrota, esta será mais de Soares do que dele próprio. E até Ferro Rodrigues saiu como soarista da sombra onde se refugiou devido à Casa Pia: “Portugal precisa de um presidente que não se conforme com a situação da Europa e do Mundo”.
Soares, é verdade, tem-se mostrado um inconformado exemplar, mas o inconformismo não é sinónimo de eficácia política e obra feita. A ser assim, os anarquistas seriam candidatos perfeitos. E que mais inconformismo se pode esperar de um homem de 81 anos – que fez o que poucos fizeram pela democracia – se não uma inadaptação radical e umbiguista, que estimula a reflexão mas traz poucas vantagens concretas ao colectivo?
E, por esta lógica, Cavaco também é um inconformado. Ou alguém vê o ‘colega’ de Campos e Cunha – por afinidade económica, claro – concordar com os gastos da Ota e do TGV?
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