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Correio da Manhã

Opinião
28 de Agosto de 2013 às 01:00

Os portugueses gozam os últimos dias à beira-mar ou nas romarias da terrinha num torpor embalado pela canícula que torna distantes as desgraças anunciadas e o regresso da troika.

As notícias tornam-se difusas por entre o fumo da sardinhada e os concertos de verão e as preocupações do mundo exterior cingem-se à sazonal desdita dos incêndios florestais (estranhamente agravados em vítimas mortais, poupadinhos no investimento em prevenção e com o Governo ausente de cena) e às expectativas do arranque do campeonato com um prematuro dérbi lisboeta já este fim de semana.

Os candidatos autárquicos desesperam por encontrar eleitores, têm pesadelos com a ameaça de abstenção galopante enquanto os analistas encartados buscam explicações para as lisonjeiras sondagens dos discípulos do encarcerado Isaltino ou do endividado Meneses, bem como para a resiliência dos independentes dissidentes.

Passos, na corajosa reconquista do paredão de Quarteira, superou em determinação os grandes cabos de guerra, de Aníbal (de Cartago…) a Napoleão ou Hitler, que sofreram com a abertura simultânea de duas frentes de combate. O nosso primeiro à serpente internacional e à hidra nacional acrescentou a frente de guerra constitucional. A bravata é bizarra, faria corar de vergonha a sra. Merkel, sempre respeitosa do Tribunal Constitucional de Karlsruhe, e confessa uma assumida reincidência na marginalidade relativamente ao Estado de Direito Democrático.

A propaganda suave do Governo renascido este verão ensaia um balanço suave entre o fulgor radical posto na ânsia de levar o terror da insegurança no emprego ao serviço público com a melopeia do consenso ansiado e uma toada de mansinho sobre o fim da crise à boleia da branda retoma europeia e de sinais inesperadamente menos maus na frente doméstica.

Da confrontação, exceto com os privilegiados juízes da rua do Século, a retocada gerência parece apostar numa dose mista de anestesia ligeira e cantigas de amigo. As vítimas de três anos de destruição da economia e da coesão social não devem empestar a tentativa de suave milagre em curso. A crua verdade orçamental virá com as chuvas de outono, talvez também adiadas para depois das eleições locais.. .

Eduardo Cabrita paz eleições orçamento outono troika
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