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Correio da Manhã

Opinião
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Francisco Moita Flores

A raiz da tragédia

A retórica que diariamente aumenta a poluição sonora desta imensa crise que assola o país não dá tempo a que se pense com serenidade.

Francisco Moita Flores 14 de Outubro de 2012 às 01:00

É cada vez mais forte a sensação de vazio, de ausência de rumos, que fica para lá da gritaria e tiradas indignadas. Bastava um olhar mais atento, sem procurar daí recolher a frase bombástica que chama para títulos de primeira página, sobre ranking das escolas, para compreendermos a dimensão trágica do problema português. Não é preciso ser perito em educação para ler os números divulgados. Ali está espelhada a causa maior da tragédia portuguesa. A nossa escola produz injustiça, promove a desigualdade, vive conformada com a mediocridade e não ensina, nem forma jovens capazes e competitivos. É o ensino privado que comanda as melhores escolas e coloca os seus alunos em patamares de grande exigência, preparando-os bem melhor para o futuro. O nível de médias da maioria das escolas públicas é entre o vulgar e o medíocre.

Temos pouco mais de um milhão de alunos e cerca de meio milhão para estudar necessita de apoio de acção social por manifesta falta de recursos económicos. É confrangedora a diferença de qualidade do ensino entre os grandes centros populacionais e as extensas áreas do interior do País, reproduzindo a desigualdade na distribuição da riqueza e do crescimento a que vamos assistindo. O País que temos é o resultado continuado desta situação. O País do desenrasca que estuda pouco ou estuda mal. Que não investe na sua maior potência produtiva e competitiva que é a escola. Um País hesitante entre a iliteracia e o analfabetismo endémico, atrasado e pobre. É claro que os governos têm graves responsabilidades nesta situação. Mas não há inocentes neste processo.

Os professores têm responsabilidade nesta pobreza maior, os pais têm maiores responsabilidades, divorciados da função essencial que é educar, formar, construir competências. A tragédia maior é que tudo isto é conhecido há muito tempo. Basta que se recue às Conferências do Casino e à conferência de Antero de Quental sobre ‘A Causa da Decadência dos Povos Peninsulares’ e está lá tudo dito. E não foi ontem. Foi em 1875. Desgraçadamente, tantos anos depois, ainda não aprendemos a lição.

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