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Correio da Manhã

Opinião
4 de Julho de 2004 às 00:09
E, de repente, as Oposições calaram-se, sobretudo o PS. A razão era simples: com Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira, Miguel Veiga, Marques Mendes e, até, Marcelo Rebelo de Sousa a dizerem o que disseram, ou a sugerirem o que ainda não quiseram dizer, – e Jorge Sampaio a receber em audiência os senadores do País grave e austero –, a Oposição inteligente só tinha de fazer o que fez: não perturbar!
Assim se chegou à reunião do Conselho Nacional do PSD. Aí se constatou que há mais PSD para além dos distintos militantes que seguram a candeia da opinião pública e publicada e que Pedro Santana Lopes, esse terrível populista capaz de delapidar as finanças públicas ao pequeno almoço, não mete medo ao partido que foi capaz de suportar, no terreno e na Assembleia, dois anos de políticas de austeridade. Notável reviravolta que, no entanto, não fez perder argumentos a quem hoje parece ser o guardião da austeridade, do equilíbrio orçamental e maior apoiante da ministra das Finanças: o PS!
Regressa-se, pois, ao centro coordenador da crise, Belém, onde Jorge Sampaio ouve e pondera.
E o que deve ponderar o Presidente?
Segundo o PSD, deve ponderar a lógica recorrente do quadro constitucional e a existência de uma maioria sólida na Assembleia da República. O novo líder, que já era o número 2 do partido sem reboliço nas hostes, será o natural candidato a primeiro-ministro.
Segundo as Oposições, deve ponderar a legitimidade política de um novo primeiro-ministro que não foi sufragado pessoalmente. Acima de tudo, deve ponderar Santana Lopes. E não deve esquecer os resultados das últimas eleições, embora europeias.
Com toda a humildade, atrever-me-ia a dizer que Jorge Sampaio deve ponderar especialmente, no caso de estar inclinado para ouvir com mais atenção os homens da sua família política, uma possibilidade referente ao quadro de convocação de eleições: a não obtenção, nessas eventuais eleições, de qualquer maioria qualificada para Portugal poder ter um Governo forte, estável e patrocinador de uma recuperação económica que, segundo os indicadores, é lenta mas já começou.
Se avançar para eleições e delas não resultar um quadro parlamentar que dê estabilidade e confiança ao País, Jorge Sampaio poderá, e deverá, ser responsabilizado pelos portugueses. Seria o caso, por exemplo, de um Governo em que o PS tivesse necessidade de uma aliança, ou de um apoio parlamentar, do PCP ou, como parece vir a estar na moda, dos populistas do Bloco de Esquerda. Quem poderia confiar num Governo desses? Como poderiam as empresas e a actividade económica sentirem-se confortáveis? Como se poderia evitar a agudização social decorrente do comunismo fazer, num eventual governo desses, o papel de parceiro que o PP joga no Governo do PSD? Seria perigoso, muito perigoso. Jorge Sampaio, com certeza, pesará bem essa possibilidade porque nada lhe garante que os portugueses votem como ele, no caso de convocação de eleições, obviamente gostaria que votassem…
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