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Correio da Manhã

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Fernando Calado Rodrigues

A revolução da ternura

O Papa quer que a Igreja reaprenda a "gramática da simplicidade" e reinvente o anúncio de Jesus Cristo.

Fernando Calado Rodrigues 2 de Agosto de 2013 às 01:00

Quem acompanhou a visita do Papa ao Brasil lendo os títulos dos jornais, pode não se ter apercebido da profundidade e do significado para o futuro da Igreja das palavras e, sobretudo, dos gestos de Jorge Mario Bergoglio.

Desde a primeira hora, até pela viatura escolhida no aeroporto, percebeu-se que não se tratava da viagem de um chefe de Estado, ou do Sumo Pontífice, mas de uma verdadeira visita pastoral do Bispo de Roma aos seus diocesanos de todo o mundo, congregados nas Jornadas Mundiais da Juventude. Foi o regresso do cardeal ao contacto próximo com os seus concidadãos. Algo que privilegiava quando era arcebispo de Buenos Aires, e de que sente saudades, como confidenciou aos jornalistas no avião. Por isso, exigiu a suavização das medidas de segurança, para que o pastor pudesse estar no meio das suas ovelhas.

Para o jornalista do "Le Figaro", Jean-Marie Guénois, a visita ao Brasil marca o "nascimento" e o descolar de um pontificado. Nos dois encontros com os bispos, o Papa clarificou a sua perspetiva e o seu programa para a Igreja.

Tornar-se próximo dos que vivem nas "periferias existenciais" é uma das maiores preocupações do Papa, anterior até à sua eleição. Aos bispos latino-americanos denunciou que "existem pastorais ‘distantes’, pastorais disciplinares que privilegiam os princípios, as condutas, os procedimentos organizacionais... obviamente sem proximidade, sem ternura, nem carinho".

No encontro com os bispos brasileiros explicou o que entende por pastoral. "Quero lembrar que ‘pastoral’ nada mais é que o exercício da maternidade da Igreja. Ela gera, amamenta, faz crescer, corrige, alimenta, conduz pela mão... Por isso, faz falta uma Igreja capaz de redescobrir as entranhas maternas da misericórdia. Sem a misericórdia, poucas possibilidades temos hoje de inserir-nos num mundo de ‘feridos’, que têm necessidade de compreensão, de perdão, de amor."

É cada vez mais claro que o Papa Francisco está a protagonizar uma "Revolução da Ternura", que passa muito mais pelo acolhimento do que pela condenação. Quer que a Igreja reaprenda a "gramática da simplicidade". E que, com a "criatividade do amor", reinvente o anúncio de Jesus Cristo. Hoje.

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