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Correio da Manhã

Opinião
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Joana Amaral Dias

A rua portuguesa

Até ao dia da manifestação "à rasca", não faltava quem a desvalorizasse ou enegrecesse: um punhado de pirralhos mimados, montras estilhaçadas, mensagens perigosas, criancinhas deglutidas em jejum.

Joana Amaral Dias 19 de Março de 2011 às 00:30

Embora quantitativamente o protesto fosse inédito desde o 25 de Abril e, qualitativamente, um exemplo de civismo, muitos continuaram a perorar sobre a esterilidade e risco da rua, como se os partidos, indispensáveis à democracia, tivessem o seu exclusivo. Uma semana depois, é como se nada tivesse acontecido. Muito mau sinal.

"Geração à rasca" já não significa uma faixa etária. Significa que estamos a assistir ao nascimento ou geração de uma massa aflita, à rasquinha, enrascada. Mas ainda não desesperada. Aliás, predominou um sentimento: esta desorganização da sociedade não é mais viável. A maioria desconfia que o sistema que gerou tamanhas desigualdades não as corrigirá. Suspeita, mas conserva alguma esperança. Daí a responsabilidade dos partidos em geral e da esquerda em particular. Ou olham para a rua e dão-lhe alternativas e não inevitabilidades, ou a enchente crise, os compulsivos pecs, a prostração das instituições, levarão à revolta. Nesse caso, as próximas manifestações, essas sim, poderão ser mais desfocadas. Ou também elas mesmo cegas.

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