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Correio da Manhã

Opinião
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6 de Janeiro de 2012 às 22:32

À partida, parece uma boa medida para reduzir as despesas do INEM, mas se olharmos com atenção para os números, esta medida iria significar que cerca de 500 pessoas, por ano, deixariam de poder contar com este serviço. Para poupar, mais uma vez, é sacrificada a população que tem uma maior dificuldade de acesso aos cuidados de saúde, dado que são as que vivem mais longe das grandes unidades hospitalares e com piores acessibilidades às mesmas.

Porque não suspender os voos das aeronaves estacionadas no litoral, no Porto ou em Lisboa, dado que metade do seu raio de ação é sobre o mar e têm maior dificuldade em aterrar em áreas densamente povoadas? Para além de, nesses centros urbanos, como muito bem realçou o presidente da Câmara de Bragança, existir "uma rede de Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação mais densa e um conjunto de hospitais com capacidade de resposta mais próxima, o que significa uma menor procura do transporte aéreo de emergência", o que não acontece no interior.

Os presidentes dos 12 municípios do distrito de Bragança lembraram ao governo que a colocação de um helicóptero no distrito foi a forma encontrada em 2008 para "colmatar a lacuna" provocada pelo encerramento dos Serviços de Atendimento Permanente, nos centros de saúde da região. Mais outra medida, essa, a meu ver compreensível, de racionalização de recursos e não tão gravosa para a saúde dos cidadãos quanto esta que agora se desenha.

Mais do que um serviço para suprir o encerramento noturno dos SAP, os meios aéreos de emergência são importantíssimos para acorrer a situações de extrema gravidade, em localidades com difícil acessibilidade e distanciados das unidades de saúde de referência. Ainda que com poucas saídas, 500 vidas que se possam salvar por ano não devem estar dependentes da ditadura da redução da despesa do Estado.

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