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Correio da Manhã

Opinião
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6 de Julho de 2004 às 00:00
É tempo de olhar um pouco para o futuro, depois de terminado este belo Euro’2004. Presume-se que Scolari vai mesmo casar com a Federação, pelos vistos até vai superintender a formação – que é das coisas que tem sempre funcionado bem... –, mas uma coisa é a ligação ao povo, outra criar uma verdadeira equipa para jogar. A sua autoridade foi posta em xeque por vários jogadores – o último foi Rui Costa, na véspera da final – e o seu trabalho não se viu muito no Euro.
A ambição que mostrou nuns dias, não a mostrou noutros (como na final). A qualificação para o Mundial está longe de ser impossível – entram directamente os oito vencedores dos grupos mais os dois melhores segundos, e ainda vão os três vencedores da eliminatória entre os outros seis segundos. Portugal tem como adversários mais fortes a Rússia, a Letónia e a Eslováquia e ainda Estónia, Liechtenstein e Luxemburgo. Mas a base desta Selecção vai dispersar-se, ou seja, a vantagem dos automatismos adquiridos no FC Porto campeão europeu vai deixar de existir. Vai ser preciso trabalhar mais nos poucos dias de que um seleccionador dispõe para isso. Mas não se pode falhar a qualificação para a Alemanha 2006. Quanto aos jogadores, sem Rui Costa, se calhar sem Figo e Fernando Couto, é uma outra Selecção que vai começar. Ou seja: não ganhámos uma equipa, no Euro’2004, mas ganhámos alguns jogadores da categoria de Miguel, Ricardo Carvalho, Maniche, Deco, Cristiano Ronaldo.
Com Pauleta, Nuno Gomes, Simão, Postiga, Quaresma há um futuro que pode ser de platina. Falta ainda decidir quem será o guarda-redes, visto que Ricardo, para lá daquele jogo com a Inglaterra, ainda não é visto – nem pelos colegas – como indiscutível. O resto é muito bom.
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