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Correio da Manhã

Opinião
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7 de Dezembro de 2004 às 00:00
A regra é tão velha como a organização social complexa - onde há poder de decisão sobre interesses relevantes, há probabilidade de existirem corruptores e corrompidos. A arbitragem, como o licenciamento camarário, as polícias, as magistraturas, os ministérios, o jornalismo e qualquer outra fonte de poder exercido por homens, não é impermeável à tentação do dinheiro fácil ou de outros prazeres. Constatada esta realidade, cabe ao Estado reprimi-la em nome da igualdade dos cidadãos.
E no entanto, em todo o mundo, até há bem pouco tempo, aos árbitros aplicava-se a velha máxima das bruxas - mas que os há, há! E na transparência do sistema, Portugal até é tão percursor que Francisco Silva foi sacrificado na pira da honestidade quando ainda nem havia crime previsto para a corrupção desportiva. Agora o Apito Dourado está aí. A táctica é, em cada investida, apanhar vários figurantes e um peixe graúdo. Todos são inocentes até a prova ser avaliada, em última instância, pelos tribunais. Mas que as investigações ameaçam o equilíbrio de vários sistemas isso já é um dado seguro.
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