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Correio da Manhã

Opinião
8
16 de Março de 2004 às 00:00
Espanha acabou de viver uma das semanas mais intensas da seu historial moderno.
Começou com as consequências de um atentado que deixou a nação, a Europa e o Mundo em estado de choque. Viveu as reacções á tentativa das entidades oficiais de, por razões exclusivamente de oportunismo político, atribuir a autoria do atentado à ETA. Viveu nas ruas a reacção espontânea a esta mentira destinada a proteger Aznar e o seu designado sucessor das consequências da sua gratuita aventura guerreira no Iraque. E acabou com a expectativa dos resultados do acto eleitoral.
Do atentado pouco há a dizer. A brutalidade do mesmo tolhe todos os comentadores. E lança-nos inevitavelmente nos esgotados lugares comuns que evitaremos por não conduzirem a nada..
Não esquecendo que muitos desses lugares comuns são meros slogans de conveniência. Porque, vimo-lo agora, nem o terror na sua forma agressiva extrema escapa à tentação de aproveitamento político.
Foi triste a despedida de Aznar, o responsável pelo envolvimento de Espanha na aventurairaquiana contra a vontade expressa nas ruas de grande parte do povo espanhol e sem mandato específico para o fazer.
Os cidadãos inocentes pagaram o preço desse aventureirismo e Aznar acabou por pagar o preço do seu oportunismo político de última hora, pessimamente recebido em Espanha.
Não sabemos quantas das vítimas do atentado de 11 de Março terão protestado nas ruas contra a política de Aznar. Sabemos apenas que se confirmou a impotência do cidadão comum, cada vez mais desprotegido, contra os desmandos vindos de que lado vierem.
Sabemos também que tudo era então previsível e que nada nem ninguém detém hoje o aventureirismo de alguns governantes, que medem as consequências das suas iniciativas por um padrão exclusivamente pessoal de valores gratuitos e quantas vezes (como foi o caso) claramente ofensivos do interesse e sentir das comunidades.
Pode definir-se o terrorismo como se quiser. Mas porque nem esta definição escapa a um aproveitamento político que é hoje o sangue corre corre nas veias de alguns governantes não pode é esquecer-se que a raiz do termo é o substantivo “terror” .
Joaquim Estefania definiu-o , nas páginas do jornal ‘El Pais’ de domingo, da seguinte forma: “o uso ilegítimo ou a ameaça de força e de violência contra indivíduos ou propriedades para coagir ou intimidar os governos e as sociedades e frequentemente para obter objectivos políticos religiosos ou ideológicos”.
É de todas quantas vimos a mais ideologicamente desinteressada e a mais abrangente.
Com base nela faça-se uma pequena revisão dos mais marcantes acontecimentos mundiais dos últimos anos e veja-se quanto terrorismo encapotado andou por aí à solta.
E Barroso onde está?
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