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Correio da Manhã

Opinião
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13 de Outubro de 2006 às 00:00
A seguir à sida, a doença infecciosa que mais mata no Mundo é a tuberculose. Cinco mil mortos por dia, o equivalente a cerca de 1,7 milhões de mortos por ano.
Dos 40 milhões de pessoas infectadas com VIH-sida, um terço contrai tuberculose e entre os co-infectados 90% morre poucos meses depois. Por isso, a tuberculose é a principal causa de morte das pessoas que têm VIH-sida.
Perante estes números dramáticos, como pode esta pandemia ser tão subestimada, tão mal conhecida, tão ignorada pela maioria das pessoas? Como se generalizou tão facilmente a ideia de que a tuberculose era a doença dos românticos do século XIX? A doença dos pobres do século XX? Uma doença exclusiva dos países subdesenvolvidos do século XXI?
A tuberculose NÃO é uma doença do passado.
A tuberculose NÃO é uma doença dos outros.
A tuberculose NÃO é um mal alheio nem um problema individual.
É e continuará a ser um grave problema de saúde pública à escala mundial, se não se fizer nada, se não se vencer a indiferença, se não se investir em novos medicamentos e vacinas, se não for combatida a sério.
Como declinar a nossa responsabilidade colectiva e individual no combate a este flagelo se a tuberculose é uma doença curável, para a qual existe prevenção e tratamento? Como deixar a morte à solta se, juntos, a podemos abater?
Para travar a tuberculose são precisas políticas de saúde pública adequadas, que aliás existem. Mas elas permanecerão ineficazes, se a indiferença e a ignorância continuarem a ocultar a doença, se o preconceito e o medo persistirem na estigmatização dos doentes, se a pobreza e as desigualdades não forem combatidas, se a solidariedade entre os povos não for fortemente mobilizada.
O Correio da Manhã com esta edição especial tomou uma iniciativa pioneira no nosso país. Estou certo de que contribuirá para dar a conhecer esta doença, para tornar os leitores solidários do lema que, como Enviado Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para a luta contra a tuberculose, me tenho esforçado por veicular – “fazer mais, rapidamente e melhor”. As situações de emergência não podem esperar e a tuberculose é uma emergência humanitária. Muito obrigado ao Correio da Manhã, à sua Direcção e jornalistas, bem como a todos os seus leitores.
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