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Correio da Manhã

Opinião
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19 de Novembro de 2006 às 00:00
Quem não reconhecer Nuno Santos como uma das maiores figuras televisivas de 2006 ou não percebe ou não quer perceber o que se está a passar: o director de Programas da RTP está a levar – ou já (e)levou mesmo – a televisão pública para um patamar perfeitamente inimaginável há dois anos, sendo ele um dos principais responsáveis, senão mesmo o principal, pelo equilíbrio do mercado que acaba por ser o facto mais relevante (muito relevante, aliás) deste último trimestre.
Devolver a capacidade competitiva ao canal estatal sempre pareceu, desde o início da curva de crescimento das privadas, uma tarefa complicadíssima.
Prova-se agora, em 2006 – curiosamente no ano em que, pela primeira vez, não foi a RTP a transmitir os jogos de um Campeonato do Mundo de futebol –, que é possível, também em Portugal, um operador de serviço público de televisão apresentar um modelo de programação que respeite os seus princípios e obrigações e, simultaneamente, discuta a liderança do mercado.
Nuno Santos, em menos de dois anos no cargo, já fez mais do que praticamente todos os que o antecederam na última década. E não foi preciso promover grandes rupturas. O director de Programas da RTP herdou de Luiz Andrade – de quem era adjunto, lembre-se – uma organização com uma ‘aparência’ saudável, onde parecia faltar apenas pequenos retoques para se poder projectar à aproximação ao duo da frente.
Parecendo que fez pouco, Nuno Santos fez muito: descobriu um horário que não ‘existia’ (as 14h00, onde as telenovelas brasileiras têm conquistado resultados impressionantes); depurou o ‘Prós e Contras’; contratou Sílvia Alberto; transformou José Carlos Malato num dos melhores apresentadores portugueses; ofereceu a Catarina Furtado um programa de excelência (‘Dança Comigo’) e, entre outros diversos méritos, levou para a RTP os fenomenais Gato Fedorento – que já põem, nas noites de domingo, mais de um milhão de portugueses a rir.
A ‘Praça da Alegria’ disputa a liderança da manhã; o ‘Portugal no Coração’ resiste com bons resultados na tarde e, nos últimos tempos, até ‘O Preço Certo’, de Fernando Mendes, vence os ‘Morangos com Açúcar’! Pode dizer-se que tem falhado a linha de ficção nacional, é um facto, mas vale a pena assinalar, em matéria de programação internacional, ‘Perdidos’ e a recém-estreada ‘Anatomia de Grey’. Ora, fazer tudo isto e ainda ter de aturar as birras de Merche Romero não é obra?
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