Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
3
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

José Rodrigues

A urgência de Borges

"A diminuição de salários não é uma política, é uma urgência, uma emergência" – a frase, proferida por António Borges em entrevista ao ‘Diário Económico’, desencadeou, naturalmente, uma onda de indignação num país que já tem dos salários mais baixos da Europa, com uma remuneração média que não chega aos 800 euros mensais. A questão que se coloca é se o consultor do Governo para as privatizações e parcerias público-privadas não conhece bem a realidade nacional ou se o que pretende é transformar os trabalhadores portugueses nos chineses da Europa.<br/><br/>

José Rodrigues 4 de Junho de 2012 às 01:00

No mínimo, o 12º ministro de Passos Coelho (se não é, parece…) revelou insensibilidade ao defender a urgência de uma desvalorização dos salários, que, para lá de baixos, estão em queda livre. A Comissão Europeia prevê uma quebra da remuneração de 6% este ano e de 1,9% em 2013, o que significa que, em termos acumulados, o recuo salarial será de 12,3% entre 2011 e 2013.

Borges defendeu o ajustamento para "limpar a economia", mas a limpeza que se impõe é a de receitas como esta, que, além de ineficazes (como várias personalidades notaram, o ganho de competitividade faz-se por via de factores como a qualificação e inovação), carecem de humanidade.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)