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Correio da Manhã

Opinião
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11 de Março de 2011 às 00:30

Odiscurso de posse do Presidente da República vai marcar durante muito tempo esta triste e deprimida política nacional. É evidente que os socialistas só a muito custo vão digerir as duras e certeiras palavras de Cavaco Silva. As reacções conhecidas mostram isso mesmo. Há quem aconselhe o primeiro-ministro a demitir-se e há mesmo algumas luminárias a garantir, provavelmente com ar sério, que o Chefe de Estado pôs em causa o regular funcionamento das instituições ao apelar à insurreição popular.

Se estas posições são reveladoras do estado de alma dos apoiantes de Sócrates, há também muitos silêncios do lado de lá, isto é, do principal partido da oposição. E isto porque Cavaco Silva não só fez um discurso duro, necessário e certeiro, como apontou caminhos claros para a governação do País. Foi, por assim dizer, um aviso à navegação, aos que, legitimamente, pensam chegar ao poder: "Neste contexto difícil, impõe-se ao Presidente da República que contribua para a definição de linhas de orientação e de rumos para a economia nacional que permitam responder às dificuldades do presente e encarar com esperança os desafios do futuro". Pois é.

Este segundo e último mandato de Cavaco Silva vai, necessariamente, ser muito diferente do primeiro. Para bem de Portugal e dos portugueses. Bem podem alguns débeis mentais, de sexo desconhecido, dizer que o Presidente da República terá muitas dificuldades em sobreviver à bomba que lançou no seu discurso de posse. São desejos de quem atacou de forma baixa o candidato presidencial, tentou desvalorizar a sua vitória eleitoral e agora ficou muito espantado com a energia e a força reveladas na quarta-feira de cinzas por Cavaco Silva. Os que andaram a apoucar, provocar e tentar encurralar o Presidente da República em Belém e numa leitura minimalista dos seus poderes constitucionais já tiveram uma primeira resposta.

E vão ter mais, com certeza. Cavaco Silva é capaz de perdoar, mas seguramente não esquece a miserável provocação do Estatuto dos Açores, o episódio grotesco e lamentável das escutas, as mentiras e deslealdades institucionais e, claro, o estado miserável a que chegou este país. Os que esperavam uma magistratura pífia, vão ter um Chefe de Estado sem medo de rupturas, de ideologias e da verdade. Todos os bandidos, ladrões, manhosos e mentirosos da Pátria deviam rever quanto antes o filme que deu um Óscar a John Wayne e perceberem que no Palácio de Belém está uma velha raposa.

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