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Correio da Manhã

Opinião
27 de Abril de 2003 às 00:08
Os mais recentes crimes de Fidel Castro foram unanimemente condenados no Parlamento português, até pelo Partido Comunista. De uma forma discreta, mas foram-no. Ao contrário, outros órgãos de soberania ficaram calados, apesar do bom pretexto que sempre traz Abril, e na Imprensa, gerou-se um espesso manto de silêncio que fez passar a onda de repressão em Cuba, que incluiu o assassinato de três homens, sem o destaque devido à selvajaria. Deve dizer-se igualmente, por uma questão de justiça, que o mesmo silêncio envergonhado pôde notar-se em outros pontos do mundo. Fidel Castro goza de uma indiscutível onda de simpatia universal entre as elites, nas quais sempre se contam os jornalistas.
Percebe-se o porquê. Fidel foi o ícone de uma geração. Simbolizou a revolta juvenil. O romantismo político. A revolução cubana – como outras – desaguou numa ditadura, mas recebeu, por muitos factores, a tolerância devida a uma utopia benfazeja. Capitalizou descontentamentos vários e sobreviveu à queda do muro de Berlim pela necessidade global de manter vivo um monumento ao anti-americanismo. Por isso, os “intelectuais” que frequentemente vão passar férias a Cuba, comprar “puros” e dar-se a outras delícias do clima, trazem o corpo recuperado e a consciência em paz. A visão selectiva não descortinou a extrema pobreza da população, nem pressentiu o medo – e se os viu, saindo das “ilhas” dedicadas ao turismo, logo foi iluminada pela explicação: o embargo económico da Casa Branca. É por isso que o déspota Fidel Castro reina num país cuja população não desiste de desertar. Ele gere o charme pessoal como um trunfo e sabe que pode contar com a colaboração romântica ou esquizofrénica de todos os “revolucionários”, “intelectuais de esquerda” e crentes diversos.
Fidel mandou assassinar três homens porque pretendiam fugir da enorme prisão em que, para os cubanos, se transformou o país. É um títere que, para vergonha do mundo, pode morrer a governar! E isto tem de ser dito.

Tarek Aziz ficou conhecido como porta-voz do regime iraquiano durante mais de uma década. Enquanto ministro de Negócios Estrangeiros, capitalizava simpatias com o estatuto de cristão entre muçulmanos. Há uma década negociava com Donald Rumsfeld. Há umas semanas era recebido pelo Papa. Há dias dizia que preferia morrer a ser prisioneiro. Há umas horas entregou-se. A ditadura de Saddam Hussein tomba como um baralho de cartas. E vão doze.

A China começou por esconder os casos da chamada pneumonia asiática. Fê-lo, vergonhosamente, apesar da denúncia da Organização Mundial de Saúde. Só quando já não podia esconder as evidências, a ditadura chinesa reconheceu o problema, demitiu dois altos responsáveis e começou a tomar medidas. Numa única semana – números oficiais – cerca de quatro mil pessoas foram colocadas de quarentena, dois hospitais fechados. Entretanto, não só na China, a doença já matou quase 300 pessoas. No mundo globalizado de hoje, com a facilidade de transporte que existe, a atitude chinesa foi além da incompetência e da irresponsabilidade: está no limite do crime.

As comemorações do 25 de Abril deram a Jorge Sampaio o pretexto para avisar o Governo de que o controlo das contas públicas não deve ter prioridade sobre a felicidade e o bem-estar dos portugueses. O presidente quer ver, como o insuspeito Miguel Cadilhe, a economia à frente das finanças, as empresas e o emprego acima dos índices, as pessoas a receberem prioridade face aos números.
Sampaio cumpriu a função e honrou as suas raízes histórico-políticas. Pena ele não ser primeiro-ministro para nos explicar melhor como faria para aplicar aquilo que diz às nossas responsabilidades no seio da União Europeia.

O FC Porto, o melhor clube português dos últimos 20 anos, está de novo de parabéns pela concretização da esperada presença na final da Taça UEFA. O Boavista esteve quase. Entre as equipas que disputarão as meias-finais da Liga dos Campeões, há Figo no Real Madrid, Rui Costa no Milan e Sérgio Conceição no Inter. O futebol português, a um ano do Euro 2004, vive tempos de euforia e de esperança. Se não se desperdiçar a inteligência, o investimento na organização do Campeonato Europeu ainda pode recompensar os contribuintes dos sacrifícios feitos pelo Orçamento Geral do Estado.
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