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Correio da Manhã

Opinião
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2 de Abril de 2012 às 01:00

Não foi a primeira vez nem será certamente a última que se constata dentro do PS este clima de guerra civil. Afinal, a chamada tralha socrática não gosta de Seguro e tudo fará para lhe complicar a vida. Não é, apenas, a nostalgia do passado que os move. É sobretudo a vontade de o desgastar no presente para tentar substituí-lo no futuro. Se nada for feito, todos os pretextos servirão a esta estratégia e a vida do líder do PS será um inferno.

Perante este quadro, Seguro tem duas opções: ou a via do compromisso ou o caminho da ruptura. A primeira é aquela que o líder do PS tem seguido. Tenta conciliar posições, tenta não desagradar aos seus adversários, sobe os decibéis na crítica ao Governo para tentar obter dos seus contestatários palmas em vez de assobios. Os resultados desta estratégia não se vêem e nunca se verão. Por uma razão simples: os críticos de Seguro, faça ele o que fizer, nunca se considerarão satisfeitos porque pura e simplesmente não acreditam nele e só aguardam a melhor oportunidade para o substituir. Tentar compromissos com a ala socrática é, pois, uma estratégia suicida para Seguro e para o PS. O líder fica cada vez mais fragilizado, o partido ainda mais desacreditado.

Resta ao líder do PS o caminho da ruptura. Na prática, escolher uma causa concreta, de preferência nobre e popular, fazer um braço-de-ferro com os seus críticos e afirmar a sua autoridade, metendo ordem no seu grupo parlamentar e obrigando os contestatários a respeitarem a sua liderança legítima. É o exercício da autoridade. Uma solução que custa tomar, até porque não condiz muito com a nossa tradição de brandos costumes. Mas a única forma de Seguro se afirmar, dentro e fora do PS. Doutra forma, a sua liderança será uma autêntica via--sacra, o que é mau para o próprio e desastroso para a democracia portuguesa. Bater o pé e exercer a autoridade nunca foi um mau caminho. Afinal, convém nunca esquecê-lo, os partidos não são nenhumas Santas Casas da Misericórdia. Os portugueses, esses, sempre apreciaram quem é firme, não quem é frouxo.

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