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Correio da Manhã

Opinião
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19 de Junho de 2009 às 00:30

Foi o que se sentiu no debate da moção de censura. O primeiro-ministro, sem sintomas de "humildade", acusou logo o CDS de querer apenas agigantar-se para dar a mão ao PSD. Com efeito, talvez haja casamento à direita. E do outro lado?

É verdade que o PCP e o BE se abstiveram no voto de censura. É verdade que Sócrates descobriu um ponto de encontro – só que, significativamente, teve de ser no Iraque, cuja invasão de há seis anos evocou com fúria. Mas servirá a oposição a uma guerra no Médio Oriente em 2003 para arranjar e manter um governo em Portugal em 2009?

O drama das esquerdas é que uma combinação entre os seus partidos só poderá ser feita sobre o cadáver de um deles: para se juntarem, ou o PS ou o BE (para não falar do PCP) precisam de renegar o que sempre foram e desmentir o que sempre disseram. Só pode haver casamento se, ao mesmo tempo, houver funeral. Entre as esquerdas, a soma será fatalmente inferior às partes. Se tivermos de encontrar a "governabilidade" através de acordos e alianças, talvez não valha a pena procurar à esquerda.

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