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Correio da Manhã

Opinião
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27 de Novembro de 2008 às 09:00

A Comissão Europeia apresentou um ‘roteiro’ para que os Estados--membros possam vir a relançar a economia e que poderá ascender a 1,5% do PIB europeu (cerca de 200 mil milhões de euros, sendo 170 mil milhões dos Estados-membros e 30 mil milhões de instituições comunitárias). Este plano permite ainda que os governos possam ultrapassar o limite de 3%, referente ao défice, imposto pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento.

A Comissão pretende disponibilizar uma linha de crédito para projectos, em particular no domínio da energia e da indústria automóvel, reforçar as transferências de fundos estruturais, apoiar desempregados vítimas de deslocalizações.

A Comissão advoga ainda reduções temporárias nas contribuições para a Segurança Social e uma escassa descida de impostos, em particular sobre os chamados produtos amigos do ambiente.

À primeira vista nem pareceria mal. O problema é que as medidas que se anuncia parecem mais viradas para os grandes países (o apoio à indústria automóvel vai directo para a Alemanha e para a França) por um lado e, por outro, parecem estar longe de um plano estruturado e integrado, voltado para a economia europeia na sua globalidade, que não apenas neste ou naquele sector em crise, como afinal sucede.

Acresce que dificilmente os ‘grandes países’ poderão vir a ser generosos, como as declarações desta semana do Merkel indiciam (para não dizer confirmam), pelo que há ainda um grau de incerteza substancial na execução do dito plano.

Esperar-se-ia da Comissão uma terapia para a crise, mas também e sobretudo um projecto de futuro para a economia europeia.

Ora, o futuro passa forçosamente por pensar a globalização porque, a título de exemplo, de pouco serve apoiar os desempregados vítimas de deslocalizações se as deslocalizações se continuarem a suceder, como continuarão imperativamente se nada se fizer a esse nível. Não é possível a competição, sem mais, entre países com direitos sociais e países sem direitos sociais, perdoem-me a insistência no tema. Sem criação de riqueza só é possível distribuir aumentando a dívida e esse ciclo tem de ser quebrado porque essa é a questão essencial. Como vai a Europa criar riqueza?

Que o plano sirva circunstancial e parcialmente para enfrentar a crise, quero acreditar que sim. Para relançar a economia europeia, não acredito nem por um minuto.

A Europa acordou? Ainda não.

 

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