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Correio da Manhã

Opinião
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18 de Novembro de 2007 às 00:00
No show business globalizado, o crime pode não compensar, mas a rebaldaria não atrapalha nadinha. Quanto mais galderices cometem Paris Hilton e Britney Spears, mais célebres estas duas lambisgóias se tornam. O caso de Charlie Sheen consegue ser ainda mais estarrecedor. Há meses, o casamento dele acabou numa peixeirada ao pé da qual o Quim Barreiros parece o Duque de Bragança. A ex-mulher do actor, a estonteante Bond Girl Denise Richards, acusou-o de ser violento e, bem, viciado em pornografia. Alegou também que temia por ela e pelas duas filhas do casal. Sheen mantinha uma pistola ao alcance da mão, receando que estranhos (marcianos, talvez?) vaporizassem a sua mansão. Além disso, bebia (e bebe) como um ralo. Volta e meia é visto a trotar pelo estúdio, apopléctico e a espumar: “Quem roubou a rolha do meu almoço?” A gota de água foi a obsessão do actor pelo assassínio da mulher de O.J. Simpson – colecciona fotos da autópsia (e depois: não há quem coleccione selos?). Por muito menos baixarias, inúmeros astros americanos viram a sua carreira imitar o Titanic. Mas isso era dantes.
Nada daquela maluqueira afectou a cotação de Sheen. Protagonista de ‘Dois Homens e Meio’, hoje a série cómica de maior audiência nos EUA (em Portugal, na RTP 2), ele acaba de renovar um contrato milionário com a rede CBS. Com um ordenado de 350 mil dólares por episódio, entronizou-se como o actor de comédia mais apaparicado da TV. Moral da história: de tão folclórica, a velhacaria de Sheen degenerou num talismã. De tal modo que em ‘Dois Homens e Meio’ ele interpreta uma paródia de si próprio: um solteirão sexista, copofónico e leviano, que é obrigado a acolher na sua casa o irmão e o sobrinho. Como o mano é um palerma em questão de mulheres, Charlie encarrega-se de suprir a criança com as mais sórdidas e descaradas dicas de engate (“Uma mulher de classe é aquela que nunca mostra as cuequinhas sem querer”). Sheen é uma verdadeira Fénix. Nos anos 90, quase morreu de overdose. Foi preso. Quando rebentou o escândalo que envolveu estrelas de Hollywood e a proxeneta Heid Fleiss, soube-se que ele tinha papado 27 prostitutas do bordel. Filho de Martin Sheen (por ironia, o presidente dos EUA na série dramática ‘Os Homens do Presidente’), Charlie teve uma largada meteórica, povoando filmes como ‘Platoon’. Mas depois descarrilou – até ser exumado pela TV. Claro que ‘Dois Homens e Meio’, apenas girita, beneficia da crise do género comédia. Nos tempos áureos de ‘Friends’, os seus protagonistas embolsavam 1 milhão de dólares por episódio. Mas Sheen não se queixa: não tem mais olhos que libido.
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