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Correio da Manhã

Opinião
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11 de Junho de 2011 às 00:30

Depois das fragilidades do Governo de José Sócrates e da instabilidade que sempre lhe esteve associada, o eleitorado, cansado, desgastado e angustiado, ensaia uma hipótese de maioria que afasta o cenário de nova confluência no sentido do ‘centrão’, que tanto contribuiu para o pântano em que a política portuguesa se converteu, com despudorada promiscuidade entre interesses públicos e motivações privadas e cujas consequências estão à vista.

Passos Coelho assume a responsabilidade de governar num contexto terrível e é de admitir que enfrente forte contestação nos próximos dois anos, no mínimo, tal a dimensão das tarefas de re-estruturação a empreender para que a bancarrota se evite e o relançamento da economia aconteça, de facto. Um país que alegremente se habituou a viver no vício da dívida tem de mudar e aprender a depender apenas de si próprio e da riqueza que consegue produzir, com todos os dramas que isso acarreta. O tempo das ficções chegou ao fim. Ao líder do PSD e a Paulo Portas não será concedido o benefício da dúvida,

exigindo-se- lhes que se ponham rapidamente de acordo quanto a tudo: estrutura de Governo e estratégia a seguir. Os eleitores que lhes estão a confiar o futuro imediato não admitem demoras nem pactuam com os joguinhos típicos das negociações que visam obter mais ou menos postos ministeriais e mais ou menos influência. Pelo contrário, esperam que das conversas de ambos saiam decisões corajosas e de ruptura, traduzidas, desde logo, na escolha de uma equipa que não assente nos dinossauros do costume e que não transporte para o interior do Governo compromissos espúrios com grupos económicos e sectores poderosos da sociedade. Será um bom sinal se os dois líderes revelarem imaginação, coragem e determinação suficientes para apostarem em gente nova, que dê inequívocas mostras de que a vontade de viragem não se fica pelas palavras. Há muita coisa a mudar e a capacidade de resistência às pressões, desde início, marcará o rumo da sua actuação. No combate ao défice, na redução da dívida, na revisão dos sistemas de Ensino, de Justiça e de Saúde e na montagem e execução do processo de privatizações não se podem ficar pelas meias-tintas do costume nem abater-se perante lóbis que recorrem a todos os meios de pressão disponíveis para os condicionar. E essas manobras já estão em marcha. Sintomática e dificilmente vestida de inocência, por sinal, a última manchete do ‘Expresso’ acerca da eventual venda da RTP e segundo a qual Paulo Portas pretenderá travar Passos Coelho nos seus propósitos de privatização da empresa. Há, de facto, quem não perca tempo, mesmo antes de as cadeiras do Poder serem ocupadas. E a procissão ainda vai no adro...

SOLTAS

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O ritual do 10 de Junho converteu-se numa coisa enfadonha, com sensação de inutilidade. Por muito que se tenha aligeirado o evento, a verdade é que, tal como se processa, acentua a imagem de um país do passado. Os tempos actuais reclamam modernidade.

DUELO SOCIALISTA

A saída de José Sócrates colocou o PS em situação de orfandade. Um novo ciclo vai começar e os socialistas enfrentá-lo-ão com um novo secretário-geral. Para durar ou não, logo se vê. Seguro e Assis já se posicionaram. O primeiro parece levar vantagem na corrida.

DINHEIRO NÃO FALTA

A pré-época futebolística é fértil em notícias de contratações. O Benfica lidera o leque de importações mas o Sporting, de Godinho Lopes, também já anunciou milhões para recrutamento. O Porto não fica parado, como se sabe. Crise só em Portugal. O futebol é outro país…

NOTAS (Escala de 0 a 20)

15 - PASSOS COELHO

Ganhou as eleições com grande vantagem. Construiu a vitória com paciência e determinação. O teste começa com a forma como conduz o acordo de coligação e forma Governo.

14 - ANTÓNIO BARRETO

Excelente o seu discurso em Castelo Branco. Com a independência que o caracteriza, não poupou palavras para descrever a situação crítica de Portugal. Disparou certeiro.

13 - PAULO PORTAS

Bom resultado mas, mesmo assim, abaixo das expectativas que chegou a alimentar. Ganhou envergadura para exercer papel fundamental na estrutura da nova governação.

7 - JOSÉ SÓCRATES

Inequívoca ordem de despejo. Arrastou o PS para uma derrota histórica. Belmiro de Azevedo coloca-o no ‘Guinness’, por tanta asneira em pouco tempo. 

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