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Correio da Manhã

Opinião
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18 de Junho de 2007 às 09:00
O mistério aumenta de dia para dia. É natural que as polícias diligentes e sobretudo muito competentes já andem nos terrenos, de lupa na mão, à procura de provas, de suspeitos, talvez mesmo de perigosos criminosos dispostos a tudo para impedir que este rectângulo periférico da Europa possa ver aviões a aterrar e a partir da sua capital.
Vejamos os factos, alucinantes, desta história de políticos, empresários, polícias e talvez de muitos ladrões. Tudo começou com a fé de Sócrates e do seu funcionário Mário Lino na Ota, jurando a pés juntos que aquele era o único sítio possível e desejável para o novo aeroporto, não de Lisboa, mas dos arrabaldes longínquos da primeiro cidade deste sítio.
O funcionário encarregue das Obras Públicas chegou mesmo a dizer que só mudaria de opinião se houvesse um milagre. Caso contrário, “jamais” o aeroporto seria construído noutro local. Qual Cova da Iria em 1917, o milagre aconteceu. Não veio dos céus, não aterrou numa azinheira e os três pastorinhos viraram empresários de sucesso que, no segredo dos deuses, andaram meses a preparar um estudo alternativo que descobriu a pólvora, isto é, um campo de tiro que já existe há décadas ali para os lados de Alcochete.
Felizes com o milagre, Sócrates e o seu funcionário Mário Lino logo declararam que o estudo ia a exame com a Ota e que lá para o fim do ano seria tomada uma decisão. Aliviado com o milagre, Marques Mendes declarou de imediato que aceitaria o veredicto, fosse ele qual fosse. O centrão podia, finalmente, dormir em paz. Mas eis que surge, lá das bandas do Norte, um empresário a alertar o povo deste sítio que afinal ali havia marosca.
O tal milagre de Alcochete era uma charlatanice inventada por Sócrates, o seu funcionário e o tal grupo de pastorinhos feitos empresários para evitar que a solução Portela 1 fosse definitivamente avaliada. Claro que os polícias, comentadores e jornalistas de investigação deixaram em paz os misteriosos proprietários dos terrenos da Ota, os milionários estudos pagos por uma empresa pública para justificar o aeroporto do Oeste e concentraram as atenções nos malandros que iriam ganhar fortunas com o aeroporto de Alcochete, melhor dizendo, Samora Correia.
Como o espaço é público e os pastorinhos feitos empresários não são da Força Aérea, rapidamente se descobriu que o primeiro e grande beneficiário seria a Lusoponte, que cobra as portagens nas duas pontes sobre o Tejo.
E assim vai a vida nesta choldra, cada vez mais mal frequentada e dominada pela enorme corporação salazarenta da mui nobre família dos Leites Capelos Regos.
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