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Correio da Manhã

Opinião
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11 de Novembro de 2011 às 01:00

Isto seria apenas caricato se não fosse sintomático da atitude de uma certa esquerda que desde o anúncio das medidas de austeridade alerta para os perigos de uma explosão social, desejando, no íntimo de si, que ela aconteça. Essa seria, afinal, a melhor forma de acabar de vez com a exploração do proletariado, já que em cada verdadeiro esquerdista português há um exterminador dos Nicolaus II que nos oprimem.

Jerónimo de Sousa, em entrevista, disse (reparem na sintonia e na excelente cultura democrática destes três homens) que "o Governo teme a rua" e que "a luta já determinou o momento da derrota de maiorias maiores do que esta". O único problema com este raciocínio tão totalitariozinho é esquecer o pequeno facto de 80% dos portugueses terem votado em partidos que apoiavam as medidas da troika. Mais do que isso: a esquerda teve uma derrota histórica precisamente por quase toda a gente - proletariado incluído - ter percebido que as alternativas à austeridade são nenhumas. E no entanto, nada disto parece impressionar os três camaradas, que em noites enevoadas vislumbram chaimites no Largo do Carmo. Alguém os acorde, por favor.

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