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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Leonardo Ralha

Ai Jesus que lá vou eu

Portugal podia ser só três sílabas, e de plástico, tal qual Alexandre O’Neill o descreveu, mas tornou--se uma terra de intervenções divinas e maldições vindas da campa, como se um Tolkien de trazer por casa tivesse trocado elfos e magos por treinadores defuntos e chefes de Estado à beira de um ataque de misticismo.

Leonardo Ralha 17 de Maio de 2013 às 01:00

É o que se teme ao ouvir Cavaco Silva atribuir o sucesso na 7ª avaliação da troika à intervenção de Nossa Senhora de Fátima, esquecendo-se dos portugueses a quem confiscaram parte substancial dos rendimentos e daqueles que perderam apoios.

Tendo em conta que o Presidente da República invocou anteontem um santo que "nos acompanhou ao longo da História nas grandes batalhas", pois um São Jorge vencedor "significa abundância e felicidade", ninguém se espanta por a derrota do Benfica na final da Liga Europa se dever à maldição de Béla Guttmann, o húngaro que orientou os encarnados na conquista de dois títulos europeus.

Embora seja um exercício infrutífero, é mais fácil culpar alguém falecido em 1981 do que lidar com falhanços escandalosos dos futebolistas ou com os erros de Jorge Jesus. Até porque já faltou mais tempo para 2062, quando a maldição magiar deverá caducar.

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