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Correio da Manhã

Opinião
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19 de Maio de 2007 às 00:00
Descendente de galegos e autora de obras de referência como ‘O Pão de Cada Dia’ ou ‘A Força do Destino’, Nélida Piñón foi a primeira mulher que ocupou o cargo de presidente da Academia Brasileira de Letras. Além disso, foi galardoada com o prémio Príncipe das Astúrias em 2005. De reter foram sobretudo as iniciativas que a escritora da Nação-irmã encorajou aqui tendo em vista reforçar a divulgação recíproca de autores das famílias linguísticas portuguesa e castelhana. O que não deixa de ser um serviço prestado à Língua Portuguesa. E na sequência da visita de Nélida Piñón foi confirmada a criação de uma licenciatura em Português na Faculdade de Filosofia e Letras da UNAM a partir do próximo ano, a par das já existentes em Alemão, Francês e Inglês.
Este esforço de conhecimento e de aproximação mútua das duas culturas não é, todavia, inédito. Há vários anos que existem na UNAM três pólos de aprendizagem da nossa Língua coordenados pelo Leitorado de Português que, com o apoio do Instituto Camões, atendem mais de 1600 alunos. E em 2004 foi instituída uma cátedra José Saramago inserida na criação da licenciatura em Língua Portuguesa no México.
Os bons resultados conseguidos na divulgação da nossa Língua neste país deveriam estimular a pesquisa de novas vias de expansão cultural. Para tanto, importaria conseguir persuadir mais países lusófonos a pôr ao serviço dessa causa comum as suas potencialidades culturais, designadamente os contributos com que enriqueceram a Língua Portuguesa contemporânea. No fundo, trata-se de uma tarefa que também tem que ver com a preservação de um factor essencial de identidade nacional. E um dos instrumentos que seria desejável desenvolver ao serviço desse escopo era o Instituto Internacional de Língua Portuguesa, previsto desde a Cimeira de Chefes de Estado da CPLP, em 1989, mas ainda em fase embrionária.
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