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Correio da Manhã

Opinião
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Francisco Moita Flores

Ajuste directo

O Governo decidiu passar os ajustes directos, a realizar pelas instituições públicas para obras públicas, de um limite de 150 mil euros para cerca de 5 milhões de euros. No dia seguinte, os comentadores de serviço viam nessa medida uma grande alegria para as câmaras municipais, pois é aí que está o ninho da corrupção, e tal medida era um pacote de vitaminas que a alimentava.

Francisco Moita Flores 11 de Janeiro de 2009 às 09:00

Sou autarca há três anos. Julgo conhecer de forma mais aproximada o que de melhor e de pior o poder local pode produzir. Os caciques, as clientelas, os compadrios. Mas também a grandeza de atitude, de dedicação, de realização das obras e melhorias que o Governo jamais faria. Pouco importa. A verdade é que o ajuste directo elevado a 5 milhões não deixou, que eu saiba, nenhum autarca entusiasmado. Quem quiser ser corrupto, e a corrupção encontra-se quase sempre dentro dos concursos públicos, sê-lo-á de qualquer maneira. Está na massa do sangue dos canalhas. Seja nas autarquias, seja fora delas. O que nenhum dos comentadores, alguns deles verdadeiramente histéricos, conseguiu perceber é a razão essencial desta decisão. Ela esconde o atraso, um atraso inqualificável na execução do actual Quadro Comunitário. O QREN, como é conhecido, há dois anos em acção, tem neste momento níveis de execução miseráveis. Milhões e milhões de euros que deveriam estar a ser investidos e que a burocracia e o jogo da politiquice tem atrasado. Os 5 milhões de ajuste directo servem para rapidamente executar aquilo que a burocracia governamental tem atrasado. Não me entusiasma a medida. E sugiro ao Governo, se é rapidez que quer para sairmos da crise, que tome medidas sérias. E a principal é responsabilizar civil e criminalmente a legião de funcionários que nos organismos intermédios do Estado têm destruído qualquer hipótese de este país ganhar uma dinâmica própria. Que o Governo procure a legião de incapazes que a coberto das CCDR, das REN, das DGTODU, de todos esses organismos, emperra, adia, ignora os problemas mais instantes que lhe são colocados pelas autarquias. Sei do que falo. De estar à espera um ano, dois anos, de um miserável parecer. De ficar à espera do capricho da chefe de divisão que um dia nos diz uma coisa, no outro dia diz outra e no outro já perdeu o papel que a autarquia lhe enviou. Responsabilize o Governo a corja de incompetentes que pululam nos corredores do poder e tenho a certeza de que não precisa de recorrer a medidas que o expõem à ignorância de quem fala sobre aquilo que não sabe. É aí que começa o simplex.

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