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Correio da Manhã

Opinião
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18 de Janeiro de 2010 às 00:30

O marialva Manuel Alegre, que adora corridas de touros, fados, guitarradas, caçadas, pescarias e não morre de amores pelos casamentos homossexuais, já vai no andor do Bloco de Esquerda a caminho das Presidenciais de 2011. Nada de novo, portanto. O homem que andou a enervar o senhor presidente relativo do Conselho nos últimos cinco anos, qual melga chata que não larga a presa, e que há quatro anos atirou Mário Soares, o candidato oficial do partido grande líder, para um desonroso terceiro lugar, já sonha com o Palácio de Belém.

É bem provável que até já tenha escrito um poema para ler do alto da tribuna da Assembleia da República no dia da posse, rodeado de cravos vermelhos, muita ética e imensos republicanos. É natural que o poeta sonhe. Veremos se o sonho não acaba num imenso e triste pesadelo de quem joga a última cartada para ocupar um lugar cimeiro da sua adorada República. É verdade que Manuel Alegre esteve no exílio, deu voz a uma rádio da resistência, veio para Portugal, salvou Mário Soares dos esquerdistas no primeiro congresso do PS em liberdade e foi deputado da Nação em várias legislaturas. Mas o poeta de Águeda nunca conseguiu liderar o seu partido, e em matéria de cargos públicos ficou-se por uma Secretaria de Estado no I Governo Constitucional de muito má memória para a Comunicação Social.

Agora, depois de ter humilhado o senhor presidente relativo do Conselho e o seu velho camarada Soares em 2006, tem a sua última janela de oportunidade para ficar na pequena e triste história deste sítio pobre, deprimido, manhoso, hipócrita, corrupto e obviamente cada vez mais mal frequentado. A esquerda já o pôs no andor e a procissão começou oficialmente. Ainda não saiu do adro mas já se sabe que os acólitos vêm da extrema-esquerda, do Bloco ao PCP, com mais ou menos comprimidos para a indigestão, e do partido do grande líder, presidente relativo do Conselho desta III República em maus lençóis.

É verdade que andam por aí uma vozes socialistas a falar em divisão e a procurar um candidato alternativo como quem procura uma agulha no palheiro da esquerda moderna e democrática. Mas a história não se vai repetir para honra e glória de Manuel Alegre, dos apaniguados de Louçã e de todos aqueles que entendem que Belém é um lugar reservado à esquerda. Até porque o grande e amado líder socialista vai engolir o sapinho Manuel Alegre como Álvaro Cunhal engoliu o sapão Soares em 1986.

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