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Correio da Manhã

Opinião
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14 de Dezembro de 2010 às 00:30

A instituir-se uma coligação PSD/CDS, ela não pode ser apenas uma relação interpartidária. Deve estabelecer-se na base de um ‘bloco social de apoio’ que projecte os pontos de vista e as aspirações dos sectores modernizadores do País e cuja sustentação ideológica se processe fora do campo socialista. Ela não quer destruir o Estado, antes reconstrui-lo noutra perspectiva.

Ela não será liberal ‘tout court’, pois nenhum Estado Moderno se pode privar de uma acção de planeamento e estratégia integradora, mas não recusará uma aragem que liberte o País de asfixias burocráticas, inúteis e desconfiadas dos cidadãos. Ela não será anti-social, pois isso renegaria dos princípios do respeito pela dignidade humana tão explícitos nos programas daqueles partidos.

Daí, o enorme esforço pré-eleitoral que sobretudo o PSD deve operar na construção desse ‘bloco’, procurando, nos sectores empresariais, culturais, associativos, universitários, de investigação e outros, apoios e referências que o possam protagonizar e robustecer. Não se trata apenas de ‘encontrar’, pessoas, mas antes de encontrar entidades, instituições e grupos que procurem em conjunto recriar um ‘novo desígnio’. As tarefas de mudança são tão difíceis, a inércia tão poderosa, as oposições tão anquilosadas e vociferantes, que não podem ser apenas os aparelhos partidários os grandes protagonistas da acção a desenvolver. Creio firmemente que, nas actuais condições do País, só a força de arrastamento produzida por um significativo ‘bloco social’ tem condições mínimas para promover ‘mudanças estruturais’ em Portugal. Ganhar as próximas eleições não é, por isso, uma mera acção de campanha. Ele depende do que discreta mas empenhadamente se fizer até lá.

Passos Coelho unificou bastante o partido; tem, por isso, condições para unificar um ‘bloco social’, dar-lhe voz e protagonizá-lo. No plano meramente político, seria ainda de toda a relevância para o PSD e o futuro a celebração de uma aliança prévia com movimentos sociopolíticos à sua esquerda, que, sem uma matriz marcadamente socialista, possam abrir espaços de conquista eleitoral nos sectores que votaram PS no passado. Uma reedição do movimento ‘Reformadores’, em 1979, seria oportuna hoje.

Os espaços onde tal se deveria tentar estão visíveis em candidaturas presidenciais actuais e em formações políticas que já concorreram a eleições legislativas. Ambos cumprem os critérios acima enunciados, e seria negativo perder esses impulsos da sociedade portuguesa, não os comprometendo com projectos mais dilatados e com hipóteses sérias de Poder. Enfim, próximos do Natal, há elementos de esperança para o futuro.

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