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Correio da Manhã

Opinião
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12 de Novembro de 2005 às 17:00
Angola assinalou ontem a passagem do trigésimo aniversário da sua independência. É uma data importante para Angola e para Portugal. Porque é indiscutível que angolanos e portugueses, embora já tenham vivido de costas voltadas nestas três décadas, têm uma proximidade e um afecto que o tempo nunca apagou.
Os povos de Angola e de Portugal sempre tiveram um relacionamento fácil e é por isso que esta ligação é seguramente a mais sólida estabelecida entre a antiga colónia e a potência colonial.
Os angolanos, de várias etnias, entendem-se em português. Isto não é tão verdadeiro com Moçambique, Guiné, S. Tomé e Príncipe e mesmo Cabo Verde.
Grande parte das elites angolanas estudaram nas universidades portuguesas e envolveram-se aqui nas lutas estudantis e anticoloniais. Angola foi para uma parte das elites portuguesas e do empresariado nacional um lugar de eleição. A partir de 1961, e desbloqueada a emigração para Angola, professores universitários, engenheiros, médicos, militares instalaram-se em Angola. Ganharam-lhe amor, misturaram-se com o povo e viveram aí anos importantes de realização profissional e felicidade pessoal. Ainda hoje, quando se encontram em Portugal os homens dessa geração que fez Angola crescer e agigantar-se no continente africano, vê-se como deixaram o coração naquela parte do mundo.
Os conflitos políticos e os desacordos pontuais em questões bilaterais não apagaram esta fraternidade nem fizeram esquecer as emoções que ela sempre proporcionou.
O tempo encarregou-se de provar que é com os portugueses que os angolanos melhor se entendem. E por lá passaram russos, cubanos, espanhóis e tantos outros. Trinta anos depois de declarada a independência, Angola respira paz. É neste clima que a esperança renasce e é possível sonhar com um país que recupere uma população traumatizada pela guerra.
Angola tem de sair dos mapas estatísticos que assinalam as altas taxas de mortalidade infantil, pobreza, fome e doença. Adquirida a paz, é preciso reconstruir o país e melhorar a qualidade de vida das populações. É uma tarefa gigantesca mas possível num país carregado de riquezas, muitas delas ainda inertes ou inexploradas.
Portugal pode e deve, em tantas áreas, da saúde às telecomunicações, ajudar os angolanos a sair rapidamente do buraco em que vivem por força de uma guerra fratricida e sem nexo. Portugal integrado na comunidade europeia tem de ser capaz de dinamizar um eixo africano que passe por Angola, em grande escala, e por outros países de expressão portuguesa. É nesta dupla vertente que Portugal se realiza.
Foi bom ver o Presidente da República nas cerimónias dos 30 anos de Independência de Angola. É bom saber que Freitas do Amaral dentro de dias estará em visita oficial àquele país. Os angolanos e os portugueses têm de celebrar a hora da confraternização na era da Paz e ajudarem-se mutuamente nas tarefas do desenvolvimento.
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