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Correio da Manhã

Opinião
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10 de Julho de 2009 às 00:30

Mas é preciso ver para além dos casos, e lembrar que o azar do governo é feito de um fracasso fundamental: Sócrates não conseguiu pôr a economia a convergir com a Europa (mesmo antes da crise), nem convenceu a esquerda portuguesa de que deveria ser "moderna" (daí os 20% do BE e do PCP). E, porque o problema está aí, e não num infortúnio circunstancial, é quase certo que se por acaso as próximas eleições o conservassem em S. Bento, em maioria ou em minoria, iríamos apenas ver o que já vimos até agora e com os mesmos ou piores resultados. Sócrates, porém, não está ainda fora de jogo.

Talvez já não possa ganhar, mas pode ainda empatar. Por exemplo, impedindo PSD e CDS de alcançarem juntos uma maioria absoluta. Daí o recente reajustamento de discurso. A crise financeira levara Sócrates a acentuar o sotaque de esquerda. Ei-lo agora, depois das europeias, a competir novamente ao centro, cheio de amor às PME, enquanto experimenta todos os truques do manual para sujar Ferreira Leite. Não convém ao PSD subestimar Sócrates. É quando estão feridos que os animais ferozes são mais perigosos.

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