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Correio da Manhã

Opinião
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F. Falcão-Machado

Anti-Davos

Perguntarão alguns leitores: e o Fórum Social de Porto Alegre? Boa pergunta. O Fórum Social Mundial (FSM) surgiu há dez anos como reacção ao Fórum Económico Mundial de Davos, numa altura em que a chamada ideologia neoliberal e a globalização atingiam o auge. Na sua visão, o FSM reduzia a questão à dialéctica entre o capitalismo, cuja elite se reunia em Davos, e os movimentos populares que defendiam o ideal de um mundo mais humano, justo e pacífico, onde a defesa do ambiente fosse uma constante.

F. Falcão-Machado 5 de Fevereiro de 2010 às 00:30

Não obstante a aparente irredutibilidade das respectivas agendas, ambos os movimentos beneficiaram de componentes comuns. A primeira foi a necessidade de criar instrumentos de análise que permitissem uma interpretação mais afinada das realidades económico-sociais. A segunda, a consciência de que os recursos mundiais são limitados e de que a sua gestão e usufruto nos obrigam a aceitar limites.

Tornou-se pois inevitável repensar os paradigmas do desenvolvimento, sobretudo nas sociedades emergentes, bem como garantir o acesso à prosperidade económica, não segundo desgastados modelos assistencialistas baseados numa visão paternalista do mundo, mas segundo fórmulas que garantissem a distribuição do trabalho digno, mais do que da riqueza. Porque, convém recordar, a Economia é a ciência da escassez, incluindo a do trabalho.

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