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Correio da Manhã

Opinião
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26 de Março de 2005 às 17:00
António Borges deu há dois dias a Judite de Sousa uma excelente entrevista sobre o PSD. Estou convencido que a maioria dos sociais-democratas que ainda mal o conhecem ficaram bem impressionados. É um peixe de outras águas. Fala com clareza. Fala com verdade. Fala com o coração. Fala com inteligência.
António Borges está longe dos políticos demagogos que prometem e não cumprem, que usam a mentira como se fosse normal enganar o povo e que são responsáveis pelo retrato-robot que a população faz da política e dos políticos – uma arte de aldrabões protagonizada por gente sem prestígio e sem apreço. Portugal, felizmente, mudou agora de política e de políticos.
O PS obteve uma vitória esmagadora e o governo que formou está a dar conta do recado. Sócrates, como eu sempre disse, dá provas de seriedade e inteligência e adopta um estilo que confere ao exercício do poder uma humildade que o enche de razões para actuar ao serviço da população. E é por isso que as sondagens dão neste momento maior adesão da população ao PS, apesar das medidas impopulares que anuncia. Mas o acerto do PS, que julgo trará bons frutos para o nosso País ainda que tenhamos de passar por períodos difíceis, não pode significar a ausência da oposição. Antes pelo contrário. Os bons governos precisam de boas oposições. Em democracia é assim e é por isso que há sempre alternativa de poder.
Portugal precisa de reorganizar ou refundar a direita portuguesa. O PSD por maioria de razões tem de se constituir numa força ao serviço da Democracia, refazendo-se do desaire eleitoral que o estilhaçou em Fevereiro passado. São os superiores interesses do País e da Democracia que assim o exigem. O Congresso do PSD em Abril não vai conseguir esse desiderato. Os dois candidatos à liderança não reúnem as condições necessárias para reposicionar o PSD no lugar de partido alternativo sobretudo quando o PS está nas mãos de um político carismático como Jorge Coelho e o Governo segue com Sócrates para cumprir o que prometeu ao eleitorado. Marques Mendes vai ganhar o Congresso. Já elegeu mais delegados que o seu opositor mas não passa de um líder de transição. É, como diz o próprio António Borges sem nenhuma arrogância, um político sério, experiente, com anos de serviço ao partido e ao País mas não tem carisma, capacidade de galvanizar a população fora das fronteiras partidárias.
António Borges e um grupo prestigiado de militantes sociais-democratas vão salvar o Congresso de Pombal com a apresentação de uma moção que incorpora os princípios da modernidade que estiveram ausentes da praxis do PSD até agora. A política em primeiro lugar. Os princípios antes das pessoas. Será uma moção que vai “revolucionar” a atitude do partido perante os seus eleitores. António Borges vai apresentá-la e estou convencido que o Congresso não só vai aprovar a moção como vai consagrar o seu autor. Quer se queira. quer não se queira António Borges vai ser líder do PSD. Reúne todas as condições para isso. Tem um forte carisma. É um homem impoluto e realizado profissionalmente. E o mais importante, está disponível para servir o País. Ele é o futuro do PSD e a Democracia e os democratas só podem aplaudir a refundação em perspectiva com gente de alto gabarito.
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