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Correio da Manhã

Opinião
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15 de Julho de 2003 às 00:00
Quando Sottomayor Cardia lhe recusou o acesso à Universidade sob a alegação de que perdera a cidadania, em 1977, o grande ensaísta português respondeu ao seu jeito: “As nacionalidades, para mim, são como as camisas. Dispo-as e visto-as conforme as necessidades.” Não era que tanto lhe fizesse ser português ou não: era que, antes da nacionalidade, estava o seu orgulho como homem e como intelectual.
A um iletrado que emigrou em busca de pão, esse princípio não se aplica. Ser português é tudo quanto ele tem: é ao mesmo tempo a sua origem e o seu destino, a sua identidade e o sonho que viverá em pleno quando, enfim, passar essa viagem temporária a um país que o recebeu com negligência e parece esperar ansioso a sua partida. Sobretudo para estes emigrantes, a aprovação do projecto de Lei que hoje sobe a Plenário é vital. Não é um favor: é a reparação de uma injustiça. Nestes casos, como noutros, a nacionalidade não é uma camisa – é o próprio peito.
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