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Correio da Manhã

Opinião
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17 de Maio de 2006 às 00:00
Sem surpresas, a confusão de crenças e nomes contribuiu para libertar o partido e ajudou-o a definir-se: um caldo, formado por inúmeras ‘correntes’ e ‘tendências’ que se anulavam mutuamente. A ‘ideologia’ do PSD, consolidada por alturas de Cavaco, tudo integrava, tudo permitia.
Houve quem lhe chamasse “pragmatismo”, houve quem lhe chamasse coisas piores. Certo é que as costas largas deste aglomerado sem doutrina instituíram o PSD enquanto o nosso “partido natural do Governo”, como se dizia dos conservadores na Inglaterra. E no Governo reinou por 16 anos ininterruptos.
Infelizmente para o PSD, e à semelhança do que aconteceu na Inglaterra, os tempos mudaram. Com Guterres, o PS ameaçou livrar-se das relíquias socialistas. Sócrates, fora o ocasional tique, desenvolveu e concluiu a tarefa. E, de repente, também o PS virou ‘pragmático’.
De repente, também o PS começou a decidir de acordo com a necessidade ou o oportunismo e a satisfazer uma classe média crescente e crescentemente distante de lastros ideológicos.
Mesmo a vaga ideia de ‘rigor’, o último critério que parecia continuar a distinguir o PSD do PS, desapareceu para parte incerta. Não por particular mérito do PS, claro, mas graças às reviravoltas de Durão e ao fandango de Santana, que deixaram marcas.
Hoje, num mercado que era apenas seu, o PSD não só dispõe de concorrência declarada: pelos vistos, perde na comparação com ela. São, naturalmente, as contingências do liberalismo.
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