Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Francisco Moita Flores

As fontes

Agora a coisa está no devido lugar. O País está preparado para receber a corte de Guterres, o incompreendido.

Francisco Moita Flores 12 de Dezembro de 2004 às 17:00
1. A grande expectativa gerada em torno do discurso de Jorge Sampaio logrou-se. Não trouxe nada de novo em relação àquilo que ‘as fontes’ de Belém foram pré-anunciando nos dias antecedentes. As mesmas desculpas translúcidas, os mesmos argumentos neblusos e até, no momento em que se supunha que iria haver novidade, o Presidente sublinhou que não enumerava os argumentos porque eles estavam à vista de todos. Portanto, o que está à nossa vista, sabendo-se da subjectividade do olhar de quem vê, é um complexo subjectivo de olhar avulsos, mais ou menos apaixonados sobre aquilo que a política faz. Sampaio perdeu um raro pretexto de fazer pedagogia política. De explicar com clareza de cristal de que as trapalhadas de Belém neste processo sem nexo são para bem do povo enquanto nos esclarecia que as trapalhadas do governo eram contra o povo. De onde se conclui, por respeito às formas, de que existem trapalhadas boas e trapalhadas más.
2. Ouvir alguns dirigentes do PS assumir com pretensa superioridade moral a indignação por causa das críticas dos partidos do Governo à decisão do PR, se a memória não fosse curta, causa vómitos às pedras das calçadas. Os que hoje exigem respeito são os mesmos que há quatro meses atrás gritavam que tinham vergonha de ter votado neste presidente, que o 25 de Abril estava morto, que nada do que fora decidido tinha legitimidade. Inverteram-se os papéis e tudo mudou. O mau já é bom, e criticar o bom é a prova maior de que se é mau. Perceberam? Eu também não.
3. Agora a coisa está no devido lugar. O País está preparado para receber a corte de Guterres, o incompreendido. Exactamente os mesmos que durante seis anos desperdiçaram um país. Os da trapalhada do queijo limiano. Das Scut à borla porque o negócio foi previsto para ser outro a pagar a factura. Os do pântano. Desconfio que da ilustre equipa que atirou com o País para o buraco onde estamos só Narciso Miranda não será secretário de Estado. Mas também a falta de vergonha tem limites.
4. O PSD e o CDS no meio destas águas agitadas também têm contribuído para a comédia. Vão coligados? Vão separados? Não sabem como resolver a situação. Se estão a ser influenciados pelo PR que para cada decisão precisa de muito tempo formal, corremos o risco de saber a notícia sobre coligação ou não depois das urnas terem fechado. E como disse uma vez Pacheco Pereira, nessa noite, conforme as intervenções partidárias se decide quem ganha ou perde. Aqui, pela nova moda instalada, já sabemos quem ganha: os comentadores políticos, que por falta de imaginação dos seus partidos, os representam com maior utilidade.
5. Talvez haja um dia em que o povo, cansado de tanta hipocrisia, manobra sem sentido, de falta de integridade e maturidade cívica, decida que o melhor é dissolvê-los todos. É por isso que Cavaco e Soares têm razão: é preciso que os homens competentes avancem para a política. Este espectáculo é mau de mais para o preço que pagamos por ele.
6. Pronto. Agora é a vez do povo decidir. E deve decidir de acordo com os interesses do PR. Garantir estabilidade ao País. O pior é se o povo decide pela instabilidade. Lá irá o PR dissolver o povo.
7. Dizem as fontes que o mais importante dos argumentos para a dissolução foi o orçamento do Estado. Em público grita a oposição que não consolidava as contas públicas. Por baixo da mesa comenta-se que o principal perigo do orçamento era atingir de forma séria os incalculáveis lucros de bancos e grandes empresas. Coisa que para o guterrismo é uma heresia. Vamos ver se foi assim. De facto, esta democracia foi feita para pobre pagar e rico estar sossegado porque como diz a velha palavra de ordem, lida ao contrário, os pobres que paguem a crise! São mais e já estão habituados.
Ver comentários