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Manuel Catarino

As lições de Porter

A história tem 17 anos: em 1994, o primeiro-ministro Cavaco Silva, aconselhado por Mira Amaral e Luís Todo, chamou Michael Porter, um dos mais influentes ‘gurus’ do desenvolvimento económico – e encomendou-lhe um estudo para apontar caminhos aos País.

Manuel Catarino 9 de Abril de 2011 às 00:30

 O Governo sabia que o respeitado professor de Harvard nada iria dizer de muito diferente dos economistas de cá. Mas, nestas coisas, o que se diz em inglês soa muito melhor e tem a importância que nunca teria se fosse dito em português: os nossos empresários levariam o assunto a sério. Michael Porter entregou o estudo e voltou para Harvard.

O trabalho – conhecido por ‘Relatório Porter’ – custou 500 mil euros (100 mil contos na moeda antiga). De 1994 para cá, mudou alguma coisa? Quase nada. Michael Porter aconselhou os empresários portugueses a apostarem na excelência, sugeriu-lhes que abandonassem a mão-de-obra barata, apontou-lhes os caminhos da inovação, da competitividade, da eficiência. Poucos ligaram ao estudo de Porter. Nem os empresários nem os governos que se seguiram. Apenas o sector do calçado, que hoje é responsável pelo grosso das exportações, levou a sério as lições de Porter. Um ou outro empresário dos vinhos e dos têxteis também as seguiu.

O País, regra geral, foi pelo pior caminho: cada vez mais pobre e dependente do estrangeiro.

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