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Correio da Manhã

Opinião
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13 de Maio de 2012 às 01:00

Os noticiários da manhã acordam-nos com as notícias da véspera, por vezes da antevéspera, mas mostram enormes estúdios, animados por cores fortes, ecrãs reluzentes e mobiliário de ângulos ousados. Entretêm os olhos o que não entretêm com a informação. Ao fundo, as redacções preguiçam em cadeiras vazias ou sombras de estagiários debruçados sobre computadores, a sua única fonte de informação. Os apresentadores procuram transmitir alegria como se fossem actores.

Nas manhã da SIC, João Moleiro, ao fim de dez anos, consegue finalmente falar sem meter "uhms" e "ãs" entre cada duas palavras. Aprendeu a falar e a ler em público à custa dos espectadores, ficando-nos a dever isso. É hoje o melhor no segmento matinal. Na RTP, João Tomé de Carvalho diz há dez anos "bom dia Portugal!!" repetidamente, irritantemente, como se todo o país o estivesse a ouvir; e, se não é ele, é Carla Trafaria, a jornalista com a voz mais estridente do país e que, desconhecendo que o microfone serve para amplificar a voz, grita para nós e contra nós. Na TVI, um rapaz e uma menina apresentam as notícias como se estivessem na turma do 7º ano sentados nas carteiras a falar um com o outro enquanto o professor escreve no quadro.

E todos repetem as notícias da véspera, sem mesmo mudarem os advérbios de tempo "ontem", "hoje" e "amanhã" para "anteontem", "ontem" e "hoje".

Ah, mas há o trânsito. Esse não é da véspera: é o de sempre. Sempre a mesma coisa. A SIC desistiu de mostrar as imagens tremidas e a preto e branco das câmaras de vigilância das estradas, talvez para poupar nos custos, e agora coloca a informação num mapa em desenho animado com tracejados verdes, amarelos e encarnados. Estranha solução num media visual: escolheu mostrar imagens virtuais em vez de mostrar imagens reais.

Há também, menos do que devia, a informação mais útil das manhãs: a previsão meteorológica. A SIC tem um mapa do continente e ilhas simples e eficaz: apreende-se a informação em poucos segundos. A TVI optou por uma solução ilegível: em vez dum mapa, mostra previsões para vários dias num quadro com informação a mais e em que as cidades não aparecem por ordem alfabética, mas numa ordem mais ou menos de Norte para Sul. Não se apreende.

Já a RTP insiste em meteorologistas alegradores frente a um ecrã inclinado e tão escuro que qualquer dia de sol parece de noite. Para complementar, coloca num cantinho as previsões meteorológicas de Nairobi ou Seul - cidades de que nunca dá notícias.

A VER VAMOS

PIDE DA NOSSA DEMOCRACIA?

n Notícias e comentários sobre o caso das secretas omitem questões essenciais: os serviços secretos da República espiaram cidadãos portugueses e empresas portuguesas em Portugal, como no tempo da ditadura. Isso é-lhes totalmente interdito, por só terem mandato a respeito de ameaças à segurança nacional: não é o caso. Agiram ao serviço do projecto político de Sócrates, autoritário e delinquente, como o definiu Filomena Mónica, para a tomada do poder total para fins obscuros. Actuaram ao serviço dum grupo empresarial. Haverá metástases desse projecto no actual poder? E mais: tinham relações com jornalistas de elite. Que relações eram essas? Alargavam-se a redacções? Os fluxos de informação eram nos dois sentidos? Precisamos de saber tudo. 

JÁ AGORA

A CAMINHO DA INSIGNIFICÂNCIA

Na ‘Correio TV', Fernando Sobral criticou com razão programas da RTP 1 que parecem dos anos 60 ou 80. Parecem e são. O director de programas, Hugo Andrade, faz TV como Luís Andrade, o pai, fazia então no mesmo lugar. E a RTP 2? Quer em agrado de audiência, quer em ideias, parece fechada, antes ainda da venda dum canal. E a administração da RTP? Dorme. 

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