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Correio da Manhã

Opinião
9
24 de Junho de 2004 às 00:00
Portugal tem uma característica importante para vencer esta Inglaterra: é a única Selecção que tem uma dupla de centrais que pode jogar homem-a-homem com os dois avançados ingleses, Owen e Rooney. Com Jorge Andrade e Ricardo Carvalho e se, como parece, Scolari optar desta vez por Paulo Ferreira porque as compensações terão de ser feitas pelos laterais, Portugal parte com uma estrutura segura.
Scolari confessou ontem que tinha medo de jogar em pressão alta com a Inglaterra. Pode ter razão, desde que não abdique de certos mecanismos que a equipa incorpora fatalmente dos esquemas de Mourinho no FC Porto. Mas onde Portugal tem alguma vantagem é sobre uma defesa inglesa que, desde o guarda-redes ao defesa-esquerdo, está longe de dar mostrasde grande solidez.
Mas mais do que os dois atacantes, o quwe define a selecção inglesa é o seu meio-campo, formado por Beckham, Gerrard, Lampard e Scholes. Com a Croácia viu-se um futebol trabalhado, com combinações rápidas que dão opções de remate a qualquer um dos seis homens mais adiantados. Esta Inglaterra não atira bolas, joga a bola. A opção de Scolari parece ser a de jogar mais em contra-ataque. Tendo de alinhar com Nuno Gomes, mais que não seja porque Pauleta está castigado, a equipa garante maior movimento no ataque para ganhar faltas, pelo menos.
Portugal tem ainda outra vantagem: teve mais um dia de descanso. Acresce a isto que o onze da Inglaterra é sempre o mesmo (tirando o facto de Terry não ter alinhado no primeiro encontro, por estar lesionado) e seis dos seus jogadores fizeram os 270 minutos de competição (contra apenas três de Portugal – Ricardo, Jorge Andrade e Maniche). O que pode ser importante se soubermos gerir as coisas desde o início, se soubermos impor um ritmo adequado que só pode ter dois nomes: Maniche e Ronaldo.
Scolari é conhecido no Brasil como especialista no “mata-mata”. Esperemos que faça as escolhas certas, mas à partida este é um jogo de resultado aberto, que não temos de abordar em inferioridade psicológica ou competitiva.
De resto, a Inglaterra não tem nenhum homem que possa vir do banco mudar o seu jogo, porque Heskey dá-se muito à marcação e Vassell tem as mesmas características de Owen e Rooney. Portugal tem extremos, tem Postiga, ainda tem Rui Costa. Pode ser decisivo.
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