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Correio da Manhã

Opinião
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11 de Maio de 2003 às 00:00
A cerca de três anos das próximas eleições para a Presidência da República, o palco político movimenta-se, como se Belém fosse para o país a primeira das prioridades.
O mais curioso é o papel desempenhado pelo ex-presidente Mário Soares.
Ocupando o terreno como ninguém, o Dr. Soares parece apostado em qualificar potenciais candidatos à Presidência da República. Em conversas, entrevistas e iniciativas próprias, o mais veterano dos políticos portugueses vai deixando cair quem tem e quem não tem condições para se habilitar à corrida.
À esquerda, o trabalho é mais simples: o antigo presidente aproveitou a situação internacional para regressar em força ao seu berço ideológico. O Dr. Soares protagonizou manifestações, colóquios, livros e pronunciamentos vários, empalidecendo até a estrelinha do Bloco de Esquerda. E no auge desta azáfama – verdadeira lição para os manuais da oposição – vai-se sabendo que o próprio Mário Soares não descarta de todo nova candidatura ao palácio de Belém. Até por não perdoar a António Guterres ter deixado o Governo nas condições que se conhecem. Pode ser um balão de ensaio, mas a experiência (leia-se, nome de Mário Soares) vai ganhando oxigénio.
Posta a esquerda em sossego, o antigo presidente da República vira-se para a direita, montando uma operação de credibilização de potenciais candidatos. Para já, dois nomes passaram no crivo – o professor Freitas do Amaral e o professor Cavaco Silva. De ambos, já o Dr. Soares disse o bastante para sabermos como são louváveis as respectivas características "presidenciáveis". No fundo, trata-se apenas de Cavaco Silva. Melhor do que ninguém, o Dr. Mário Soares bem sabe como são escassas as possibilidades do professor Freitas do Amaral que tendo perdido boa parte do apoio à direita, nunca será visto pela esquerda como um nome aceitável na corrida a Belém.
Pior, fica o Dr. Santana Lopes, cujo espaço diminui sempre que mais se fala de uma candidatura presidencial do professor Cavaco. Possivelmente incomodado com a forma como está a ser conduzido este verdadeiro recrutamento de candidatos presidenciais, o presidente da Câmara de Lisboa veio mesmo dizer, esta semana, quão estimulante seria um duelo eleitoral com o próprio Dr. Soares. É mais uma declaração que consagra o antigo presidente como verdadeiro epicentro das movimentações em torno da presidência da República.
No momento em que tanto se afasta da política americana, mais o Dr. Mário Soares se aproxima do modelo político dos Estados Unidos, promovendo, a seu bel-prazer, umas singulares primárias para as eleições presidenciais portuguesas.
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