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Correio da Manhã

Opinião
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21 de Janeiro de 2007 às 00:00
Em Novembro de 2004, Mohammed Bouyeri, aliás ‘Abu Zubair’, um imigrante marroquino de segunda geração, pegou numa pistola de fabrico croata, e matou, com oito tiros, o polémico realizador Theo van Gogh. Ex-estudante de Direito, militante republicano e libertário, filho de um antigo agente do serviço secreto BVD, Van Gogh teria insultado o Islão.
Pelo menos era o que entendia Zubair, membro do chamado ‘Grupo de Hofstad’, seguidor da ideologia ‘Takfir Wal Hijra’, que estaria disposto a matar os ímpios, fossem pessoas ou países.
Na comoção do acontecimento e do processo judicial, a Holanda pediu menos imigrantes.
Em 2005, o jornalista sudanês Mohamed Taha, editor do diário ‘Al Wifaq’, foi condenado a dois meses de suspensão, por alegadamente ter ofendido a memória do Profeta, ao publicar um texto polémico do historiador Al Maqrizi. Em Setembro de 2006, foi raptado e decapitado, por um grupo alegadamente próximo da organização Ansar al Sunnah.
Há dias, o jornalista de origem arménia, Hrant Dink, julgado em Outubro de 2005 por atentado ao “espírito turco”, foi morto à porta do seu gabinete.
O governo de Ancara precisa, urgentemente, de resolver este caso, de capturar os culpados e de se assegurar a não repetição dos eventos, sob o risco de Dink se transformar em Taha, e em Van Gogh.
RIDÍCULO, RACISMO, REALIDADE
A tempestade ‘Kyril’ devastou a Europa, lembrando o aquecimento global. Uns debruçaram-se sobre o último filme de Werner Herzgog (‘The Wild Blue Yonder’), sobre a tentativa de colonizar Andrómeda, para fugirmos à Terra moribunda. Outros continuaram a ver o ‘Big Brother’, no Canal 4 das televisões inglesas. Entre os internados na ‘casa’, a senhora Jade Goody, uma celebridade expresso, terá dirigido à actriz indiana de sucesso, Shilpa Shetty, continuados, violentos e dementes ataques racistas. Tudo podia resumir-se a mais um escândalo nos ‘reality shows’, mas a classe política britânica decidiu intervir, e o assunto foi discutido, com ênfase, no parlamento de Westminster. O líder da oposição Conservadora, David Cameron, apelou a que o público votasse para a expulsão de Jade, Tony Blair explicou (numa postura do tipo ‘natureza morta’) que é contra qualquer discriminação ou ofensa étnica, e o seu sucessor putativo, Gordon Brown, dissertou sobre a (ir)responsabilidade dos media, e a necessidade de o Estado garantir o “respeito” social pelas minorias. O espectáculo saiu da TV para a política, e de oito milhões de espectadores para todo o Reino Unido. De que lado do ecrã está o circo?
OUTRAS GUERRAS
A China disparou um foguetão obsoleto, e destruiu um satélite, a 800 quilómetros da terra. Muitos, de Washington a Moscovo, temem uma nova corrida ao armamento. Mas quem é que renunciou ao tratado ABM, de 1972, para criar um “sistema limitado” de defesa antimíssil? E quem renunciou, fê-lo, por saber que outros o podiam fazer, ou provocou os outros a fazê-lo?
O ovo e a galinha.
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