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Correio da Manhã

Opinião
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31 de Agosto de 2006 às 17:00
Eslovénia e Lituânia estão entre os países que mais crescem na Europa. Minúsculos até já conseguem ser grandes potências desportivas. Deram cartas no recente Mundial de basquetebol.
Portugal continua como sempre. Vai ardendo. Entretém-se com o ‘kickbox’ nas bombas de gasolina. Deleita-se com a purga de autarcas eleitos. O Gulag bem vivo 17 anos depois!
Angola esteve no Mundial de futebol e brilhou no de bola ao cesto. Ao mesmo tempo consolida a paz e o crescimento. Tudo isto sem ter os pavilhões com as medidas milimétricas dos lavabos públicos, aferidos com o rigor espartano de CCDR, INAG, IPPA, DGOT e quejandas hordas de burocracias inimputáveis...
Mas nós por cá cada vez mais na mesma, como dirá o Chico (Buarque) se reescrever a história. Mais uma guerra Terreiro do Paço/Porto Santo, mais um número circense com o pobre futebol profissional.
Mas no meio da borrasca surgiu um raio de esperança.
A RTP prepara-se para arrasar a concorrência. Os ‘Morangos’ e a ‘Floribella’ vão implodir para desgosto dos seguidores das derivas ‘light’. O canal público conseguiu a autorização do IPPA para exumar o esqueleto do Inspector Poirot. Com uns retoques de um conhecido cirurgião plástico, que abandonou por uns dias o Ancão, aquela ossatura ressequida vai conseguir protagonizar a nova novela do Canal 1.
Horário nobre. Com título imbatível. ‘Envelope 9 – O Regresso’. Diz-se que estreará no dia em que vai fazer nove meses que foi aberto o inquérito ao famigerado subscrito.
Sigourney Weaver encarnará uma alienígena humanizada, no papel de chefe de Correios do Fórum Picoas. Até consta que o xeque Nasrallah, a título excepcional, dada a posição da oposição sobre o avião judeu que mudou o óleo nas Lages, a vai deixar estrear em Beirute. Um ‘must’. Digno da comemoração dos 500 anos da descoberta de Bazaruto.
Mas, infelizmente, mesmo lá fora, nem tudo vai bem. Com o endémico medo da chantagem violenta do fundamentalismo islâmico, as sondagens colocam a primeira-dama socialista francesa e o líder conservador britânico à frente das sondagens? Nova opção ideológica ou doutrinária do eleitorado? Nem pensar. Como me diz um amigo de falas directas: medinho, puro e duro.
Mas enquanto aguardamos novidades lá de fora fica-nos a expectativa sobre o desenlace desse enorme estertor democrático que está a ser a universidade de Verão do PSD. Uma única certeza: entre esses jovens, cuja qualidade conheço, reside muita da esperança numa mudança de rumo do maior partido português.
Quanto às ‘aulas’, tudo seria mais económico se em vez da presença física de alguns dos interventores, se colocassem os jovens em regime de telescola, pois, com uma ou outra honrosa excepção, como Durão Barroso, limitar-se-ão a ir ouvir os lugares-comuns com que os mesmos actores nos bombardeiam semanalmente nos seus espaços televisivos.
E foi pena que, aproveitando a proximidade, não tenham convidado para falar das suas experiências o autarca da terra, o jovem e talentoso presidente da Câmara de Marvão ou o imaginativo edil de Portalegre. O tal que sabe como se consegue ter 60 por cento de votos em pleno Alentejo.
Seria um bom tema para o discurso de ‘rentrée’ do presidente do PSD no próximo domingo. No fundo, o discurso que todos ambicionamos: o que demonstre que com talento até se constroem impossíveis.
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