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Correio da Manhã

Opinião
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7 de Setembro de 2007 às 09:00
Autoridade não é coisa que abunde neste país. Autoritarismo chega e sobra para as necessidade da casa. E é pena. Porque o autoritarismo é sempre uma caricatura da autoridade. Transformada em birra por quem a não entende. É uma disposição psicológica perversa em relação ao poder. Democracia e autoritarismo são inimigos naturais e de coexistência impossível. É certo que decidir é, sempre, contrariar quem não concorda connosco.
Mas pode-se fazê-lo com elegância política e com respeito pelos que pensam de modo diverso ou com levianas sobranceria, arrogância e desprezo pelos que não têm poder ou autoridade. E são estas que definem o autoritarismo de que Sócrates é frequentemente acusado. Com razão. Sócrates exibiu já demasiados tiques autoritários para que se lhes possa fazer vista grossa. Sem oposição nem crítica interna (se descontarmos Alegre e os seus companheiros, há muito tempo neutralizados), Sócrates começa por ser uma vítima de Guterres, de quem foi um dos venerandos boys. Não quer repetir--lhe os erros. Renega os seus ‘ensinamentos’ e tem uma obsessão: não quer nem recordar as hesitações do seu mestre e padrinho político. Mas como todos os filhos que juraram nunca repetir os erros dos pais, peca por excesso. Quer mostrar que manda. Para que não haja dúvidas. Mas pode descansar. Porque a nossa Constituição e sobretudo a falta de qualidade e de coragem dos seus cortesãos lhe asseguram esse gozo tão mundano. E o êxito de qualquer tentação autoritária. Manda mesmo. Até aos limites do Palácio de Belém, bem entendido...
Mesmo a sua responsabilização perante a AR, graças à sua confortável maioria e ao zelo acrítico dos seus deputados, não passa de uma fantasia de mau gosto e péssimos resultados que só o incita às tentações autoritárias. Sócrates soma e segue. E agradece aos que lhe louvam o autoritarismo. Aí estão o caso do prof. Charrua ( mesmo tardiamente corrigido) e de Dalila Rodrigues para ilustrar como o autoritarismo de Sócrates é favorecido por uma legião de agentes menores que se vendem barato e a tudo se prestam para conservar o lugarzinho ou obter mais uma promoção. Sócrates, como Cavaco, apesar do seu curto tirocínio, já terá poucas dúvidas. Mas, convenhamos que, malgrado as semelhanças, comparado com Cavaco (enquanto primeiro-ministro de um governo maioritário) Sócrates em questões de autoritarismo é um principiante. Ambos são combatentes do défice. Malgrado as declarações públicas, ambos se incomodam pouco com o facto de os portugueses estarem cada vez mais pobres. Ambos são politicamente incultos. Ambos andam à deriva no que diz respeito a ideologias.
Mas a Sócrates falta a convicção autoritária. Até quando?
PS Alegremo-nos. No Porto não há só gangs e ajustes de contas. Também há comoventes milagres. A purificadora chama do amor, esse fogo que arde sem se ver, reacendeu-se no coração do dragão dos dragões. Que não lança chamas pela boca e narinas, mas arde intensamente sempre que desiludido com o alterne procura o paraíso ou vice-versa. O seu coração é um enorme fogareiro. E a chama do amor corre-lhe nas veias. Com algum dramatismo. Oscila indeciso entre a fase Deus, Pátria e Família e a fase da rejuvenescedora (pensa ele...) libertinagem. Mas sempre com muito, muito, amor para dar. Hoje incendiário, amanhã bombeiro.
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