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Correio da Manhã

Opinião
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João Pereira Coutinho

Baile de máscaras

O governo vai fazer às claras o que pretendia fazer às escuras.

João Pereira Coutinho 16 de Janeiro de 2010 às 00:30

Onde é que eu já ouvi isto? Depois da promessa sagrada de não subir os impostos, o ministro das Finanças já disse o dito por não dito. Tudo porque a oposição (ou, se preferirem, a ‘coligação negativa’) actua com maldade para ‘aumentar a despesa’. Teixeira dos Santos falava do adiamento do Código Contributivo (que o Presidente da República promulgou) ou do Pagamento Especial por Conta, dois exemplos que, para o ministro, simbolizam essa vontade de ‘aumentar a despesa’.

Curiosamente, não parece ter ocorrido ao ministro uma expressão mais apropriada: ‘cortar a receita’. O que se compreende: o Código e o PEC já eram, de forma encapotada, uma forma de cobrar os impostos que o governo jurava não cobrar. Ao negar essa ‘receita’, a ‘coligação negativa’ não ‘aumenta a despesa’; limita-se, isso sim, a obrigar o governo a fazer às claras o que antes se preparava para executar às escuras: espremer o contribuinte. Verdade que o contribuinte continuará a ser espremido. Mas, pelo menos, terá a consolação de saber realmente quem lhe vai ao bolso.

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