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Correio da Manhã

Opinião
23 de Março de 2007 às 09:00
Se eles não fossem tão insignificantes teriam não só acabado de vez com o CDS como vibrado mais um rude golpe na debilitada ‘democracia’ portuguesa. Cheia de Paulos e de Pedros eternamente à espera de um lugar ao sol. Mas, felizmente, só eles se levam a sério a si próprios. Mesmo quem lhes dá visibilidade nas televisões usa-os como atracções circenses. Versões (só) supostamente sérias de todos os Castelo Branco deste País.
Pouco diferentes de qualquer das muitas bacocas estrelas do nosso jet set mediático que as televisões fabricam, promovem e nos atiram diariamente pela casa dentro. E só essa característica comum justifica que sejam uma ‘família’ comportamental, unida nas suas brutais limitações intelectuais, na obsessão pela notoriedade e no amargo desejo de consideração social. Querem ser gente. Reclamam bilhete de identidade político.
E eles próprios reclamam escolher os pais e as casa onde querem viver. O espectáculo, melhor do que as reconstituições medievais que Óbidos anualmente nos oferece, nem de encomenda teria sido mais escabroso. Mas não se cometa o erro crasso de julgar a direita (e muito menos a democracia cristã) pelo que se passou em Óbidos. Porque para se ser de direita não basta recitar farisaicamente o seu credo. É preciso muito mais do que isso. A começar pela indispensabilidade de ter miolos.
O rigor, a teoria das cautelas e o respeito pela verdadeira direita impõem-nos esta distinção. Alguém, que lá esteve, chamou aos incendiários de Óbidos “cães de fila”. Figura de estilo pouco adequada, ainda que eloquente, porque longe vão os tempos em que os cães de fila, belas peças decorativas, tinham alguma utilidade política residual. Hoje ninguém os quer por perto porque (como ficou demonstrado) os danos que podem provocar ultrapassam em muito os benefícios que supostamente garantem. Infelizmente, para um sono tranquilo da esquerda, a direita não é aquilo que vimos em Óbidos.
É certo que em Óbidos esteve uma representação de luxo do que de pior vive agarrado às saias da direita. Teimosas excrescências de que a direita inteligente (a única a recear pela esquerda) não consegue desembaraçar-se, nem à bala. Porque a direita inteligente tem horror a balbúrdias, não tem rosto, nem desejo de visibilidade. Esta suposta direita de Óbidos só tem utilidade para a verdadeira direita na medida em que chamando sobre si as atenções camufla a sua existência.
A melhor (ou pior, conforme a perspectiva) direita é invisível, sábia, fria e terrivelmente eficaz. Não cospe para o ar. Usa da maior subtileza para alcançar os seus desígnios.
Os que para aí pretendem representá-la não passam de um grupo de meninos de coro mal-educados, de calção curto e ideias ainda mais curtas. E as suas encenações não passam de pouco inocentes récitas de jardim-de-infância. São a fina flor de todos os Paulinhos, Zezinhos e de todos os outros ‘inhos’ que entre si se odeiam mas à rédea solta aterrorizam a vizinhança.
Politicamente existem e são uma inevitabilidade. Um subproduto natural e inevitável do sistema. Que, por mais que arrumemos a casa, volta sempre a tomar conta dela. Insidiosamente. Como o pó que, para não nos provocar alergias, tem de ser aspirado dia sim dia não.
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