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Correio da Manhã

Opinião
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Francisco Moita Flores

Bazófias e tretas

Vivemos um tempo em que quem procura sobreviver com os mínimos de sanidade mental quase diariamente sente a sensação de nojo, de repugnância, perante a mixórdia de acontecimentos e notícias que acinzentam os nossos dias.

Francisco Moita Flores 20 de Novembro de 2011 às 01:00

É um tempo no qual a bazófia, o rancor, as meias-palavras, ou as palavras por inteiro, revelam a mediocridade, a boçalidade que anda por aí à solta. O egocentrismo tornou-se num bem nacional, onde um falso e cínico moralismo esconde o carácter decadente desta mixórdia.

Carlos Queiroz, que submeteu esta selecção nacional a uma prestação medrosa no Mundial da África do Sul, e que quando a deixou estava praticamente eliminada do Europeu, não conteve a pesporrência quando, depois de uma carreira irrepreensível sob o comando de Paulo Bento, perdeu com a Dinamarca. O comentário foi que, com ele, Portugal já estaria apurado. Paulo Bento não respondeu. Fez o que fazem aqueles que não têm tempo para a intriga, para a preguiça, para a fanfarronada: continuou a trabalhar. E respondeu, agora, despachando a Bósnia com seis na pá. Ainda por cima com a selecção a jogar com uma alegria e um talento que não se viam desde que Scolari partiu. É a melhor resposta à pequenez. Trabalhar e dignificar o trabalho. Coisa que muita gente fala e não pratica.

O arguido Paulo Penedos, do processo Face Oculta, tem vindo a desdobrar-se em declarações aos jornais enquanto é ouvido como arguido no tribunal de Aveiro. Percebe-se na sua ânsia de exposição que não tem o sentido do ridículo. Envolvido num processo de corrupção, com um país desconfiado a olhar para ele e para outros, devia estar calado e apenas falar com quem deve, ou seja, com o juiz, só lhe ficaria bem e não deixava a ideia de que são putos como estes, formados no que mais degradante existe nas juventudes partidárias, o conluio, a conspiração, o tráfico de influência, os arautos de um tempo sujo e amoral.

Duarte Lima encontrou-se com o destino. Está preso. Paradoxalmente no seu país, o único em que não seria preso às ordens das autoridades brasileiras. O tempo falará sobre todas as verdades e falsidades que pendem sobre este homem. Quando o falatório amainar e o juiz falar.

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