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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Joana Amaral Dias

Bebé no prego

A história conta-se em poucas linhas. Uma mulher grega, pobre e moradora numa barraca, deu à luz em Atenas. Todos os membros da família perderam o emprego, à exceção da avó que faz limpezas. Depois do parto, a maternidade quis impedir a mãe de levar para casa o seu recém--nascido porque a parturiente não tinha como pagar. Isso, leu bem.

Joana Amaral Dias 26 de Maio de 2012 às 01:00

Na Grécia já existem bebés caução. O orçamento grego destinado à saúde sofreu cortes brutais. Agora, o governo só cobre as despesas médicas dos desempregados que não tiverem dívidas ao Estado, nem sequer uma multa de trânsito. Um quarto da população não tem cobertura médica e parece que a maneira das autoridades resolverem esta situação é raptando recém-nascidos. Se não tem dinheiro, ou morre de cancro ou entrega o filho? Se não pode pagar, só engessa a perna depois de por a avó no prego? São estes os resultados das políticas da Europa e do FMI que, quando aquele reformado se suicidou em Atenas, disse que estava "profundamente triste". É. Fique de luto durante muito anos. Já agora pinte a cara de preto.

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