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Correio da Manhã

Opinião
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30 de Abril de 2010 às 00:30

 

Por mim, pode vir um exército de professores de Direito de Código Penal em riste, a demonstrar a justeza daquele acórdão e a clarividência dos nossos desembargadores. Estou-me nas tintas para tanta justeza e clarividência. Se aquela é a sentença inevitável tendo em conta as leis da pátria, então aqueles juízes que tenham a hombridade de se afastar do seu cargo, porque as leis da pátria são indignas de ser cumpridas.

O que eu sei, sem ter nunca estudado Direito, é que não podemos ter leis que ofendam a consciência de qualquer pessoa com dois dedos de testa. O que eu sei, sem saber de cor as alíneas do Código Penal, é que não podemos ter um empresário que foi apanhado pela PJ a pôr 200 mil euros na mão de um vereador e, depois de o caso passar pelos espantosos tribunais portugueses, esse empresário estar 10 mil euros mais rico (valor da indemnização que lhe foi concedida por ter sido chamado de 'corrupto'). Isto é o mesmo que apanhar um ladrão a roubar uma joalharia e, no final, condenar o joalheiro a indemnizar o ladrão.

As leis do Direito não existem para satisfazer o onanismo de quem tem a obrigação de velar por elas. Os tribunais não são um clube para iniciados. Colocar a forma da lei à frente do seu espírito é a pior injustiça de todas. A lei é dura, sim. Mas não pode ser estúpida.

AMOR À PRIMEIRA VISTA

A CRONOVELEMA DE MÁRIO DE CARVALHO

É um livrinho de meras 125 páginas, a que Mário de Carvalho, certamente por pudor, recusou chamar 'romance'. Por isso, inventou a palavra 'cronovelema', mas aquilo que está em ‘A Arte de Morrer Longe’ é o que sempre encontrámos na escrita do autor: um sentido de humor apuradíssimo e uma capacidade notável para deixar expostas as particularidades da alma portuguesa. Imperdível. 

15 SEGUNDOS DE FAMA

A GUERRA DAS TARJAS FUTEBOLÍSTICAS

 

Portugal tem uma sociedade civil amorfa, a não ser quando o assunto é o futebol. Mais vale assim do que nada, e por isso a guerra das tarjas – primeiro o 'reservado' do Marquês, depois o 'reserbado' portuense e finalmente o 'desinfectar depois de usar' sportinguista – mostra uma vontade de provocar, fazer piadas e ser falado que merece aplauso nestes tempos tão tristonhos.

ENTREVISTAS IMAGINÁRIAS

'NUNCA TROQUEI MUITO PEIXE COM O RUI PEDRO SOARES', Armando Vara, Banqueiro e Confidente

 

 

– O sr., na comissão de inqué…

– Por acaso o senhor trouxe-me alguma caixinha de peixe?

– Desculpe?

– Uns robalos. Umas tainhas. Umas douradas, vá.

– Não, não trouxe.

– Isso revela um certo amadorismo da sua parte, meu caro.

– Eu só queria falar um pouco das suas declarações sobre Sócrates.

– Sim, mas sem se chegar à frente com um peixinho ou outro… Enfim, olhe, faz de conta que já passámos uns tempos juntos em alto-mar. O que lhe posso dizer é que estou convicto de que o primeiro-ministro não mentiu. Já pescámos muito juntos, sabe. E à volta de uma caixa de pescadas ou de garoupas o carácter de um homem vem à superfície.

– E em relação aos seus contactos com Rui Pedro Soares?

– Tirando duas ou três caixas de chicharros e de chernes, trocámos pouco peixe.

– João Carlos Silva?

– Uns achigãs e nada mais.

– E quanto a Paulo Penedos?

– Nem um choco. Aliás, se quer que lhe diga, esse tipo anda é armado em carapau de corrida.

SINAIS DE TRÂNSITO

AGUIAR BRANCO, DEPUTADO DO PSD

 

Luzes acesas: É tão raro assistir a um grande discurso por parte de um político português que ouvir Aguiar-Branco no 25 de Abril foi um momento épico. Queremos mais.

JOSÉ MOURINHO, TREINADOR

Oficina: O grande mérito de José Mourinho não é pôr a sua equipa a jogar bem: é pôr as outras equipas a jogarem mal. Mas a final da Champions, essa, já ninguém lha tira.

RUI PEDRO SOARES, ADMINISTRADOR DA PT

Pousada de juventude: O seu momento 'perdoa-me' na comissão de inquérito foi comovente. Se um dia houver uma estátua em homenagem ao boy, façam deste homem o modelo, sff. 

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