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Correio da Manhã

Opinião
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Paulo Fonte

Boa e má indignação

Como a política é um jogo tortuoso e com memória curta para o inconveniente, uma viagem no tempo é útil para recordar que o agora primeiro-ministro, tão apoquentado com a indignação ouvida pelo país, é o mesmo homem que em 2011, na altura candidato a chefe do Governo, em plena campanha eleitoral contra José Sócrates, reclamava esse mesmo direito com a clareza que assiste quem tem razão.

Paulo Fonte(paulofonte@cmjornal.pt) 2 de Março de 2013 às 01:00

"Às vezes é necessário mostrarmos a indignação política que sentimos", dizia, aplaudido por muitos já fartos de um período de enganos, saudado por outros talvez agora do lado de quem o mima com apupos e ‘grandoladas’.

Esta semana, ao voltar a ser confrontado com os protestos de um grupo de dezenas de manifestantes, Pedro Passos Coelho frisou a ideia de que a indignação "não é suficiente para constituir uma política de resposta para a crise". Porventura terá razão, mas o protesto civilizado – e sublinhe-se bem o civilizado – ainda faz parte do conjunto de liberdades ao dispor do cidadão. Como entenderia então o líder governamental ser a melhor maneira de um povo massacrado com impostos, fustigado pelo desemprego e pela perda de direitos levar a vida? Cantando e rindo?

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