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Correio da Manhã

Opinião
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9 de Julho de 2007 às 09:00
Andam por aí onze senhores e uma senhora numa intensa azáfama a prometer mundos e fundos aos cidadãos que vivem na capital deste sítio cada vez mais mal frequentado. O grupo dos doze anda nisto desde Maio, altura em que as comadres se zangaram e se começaram a saber algumas desgraças da maior autarquia do sítio.
A Câmara caiu com mais ou menos estrondo, sem dinheiro para tratar de cães e gatos, para abrir piscinas, limpar e arranjar jardins públicos e concluir obras que se arrastam no tempo à boa maneira lusitana. O grupo dos doze saltou para a cidade na ânsia de conquistar o poder. Dois são independentes zangados com os partidos, os outros são os do costume. Falam em obras espantosas, em planos extraordinários, dissertam longamente sobre o futuro, esquecem o passado e não têm a humildade de pedir desculpa a quem vive e trabalha na cidade pelas malfeitorias que uns e outros, com mais ou menos responsabilidades, andaram a fazer nos últimos anos a esta triste, suja, esburacada e desleixada capital de um sítio que ainda não perdeu o hábito de esconder as misérias debaixo do tapete.
Os doze senhores que andam a poluir a cidade de cartazes e a encher os ouvidos dos pobres cidadãos com músicas pimba e palavras cheias de coisa nenhuma deviam, acima de tudo, perceber que as pessoas não são parvas, cegas e surdas. Deviam perceber que as pessoas circulam de carro em cima de buracos, de ruas num estado calamitoso, evitam andar nos passeios, sujos e esburacados, olham para prédios degradados, edifícios em ruínas, vêem obras criminosas nascer em zonas nobres da cidade e, vergonha das vergonhas, sabem que, por detrás de muitas paredes de Lisboa, nomeadamente na turística e muito cantada zona histórica, sobrevivem pessoas em condições sub-humanas, muitas delas sem casa de banho e algumas mesmo sem uma simples sanita.
A cidade, senhores e senhora candidata, são as pessoas que ainda não fugiram para os arredores. A cidade, senhores e senhora candidata, não é ainda um caso perdido. Basta que olhem, com humildade, para os bons exemplos. Basta que aprendam, que não andem sempre a enganar os cidadãos com descobertas mirabolantes, invenções pacóvias e projectos que, mais do que tudo, são grandes negócios para quem os autoriza e quem os executa. A cidade, senhores e senhora candidata, está porca, feia e má para os cidadãos que ainda não fugiram de tanto desmazelo, de tanto lixo e de tanta corrupção. A cidade, senhores e senhora candidata, não é certamente uma maravilha. É certamente uma grande porcaria.
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